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Antero Greco
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Jogo duro

Meu amigo, assim como eu, sei que você curte falar do futebol jogado, dos dribles, dos gols, das polêmicas, dos erros de arbitragem. Dos craques e respectivas histórias. Muito melhor ocupar-se do desafio que o São Paulo tem hoje contra o Danubio, pela Libertadores da América, do que papo a respeito de cartolas, leis e coisas de fora do campo. Só que tem hora em que a gente não pode fechar os olhos para temas mais áridos e chatos, porque vai sobrar pra nós.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 02h03

É o caso da lei de responsabilidade fiscal no Esporte. Em poucas palavras: o governo se propõe a parcelar em suaves prestações as dívidas dos clubes para que estes se tornem economicamente viáveis e saudáveis. Em contrapartida, exige que os dirigentes se comprometam, sob risco de severas penas, a seguir à risca o combinado.

Simples e direto. Porém, como estão acostumados a topar acordos para rompê-los em seguida, há muitos caciques da bola que trabalham para derrubar a medida. Já houve tentativa de engabelar a presidência, no final de 2014, ao incluir esse projeto no meio de outros ligados, por exemplo, à importação de insumos agrícolas. Alguém percebeu e assoprou no ouvido de Dilma Rousseff, que passou a caneta e vetou.

Neste começo de ano já ocorreram encontros de ministros e assessores com entidades de atletas (o Bom Senso F.C.) e representantes da sociedade. A intenção é não abrir mão do projeto de lei como foi concebido. Dessa maneira, será possível controlar desvios absurdos, como em previdência social, imposto de renda e afins.

Os coronéis do futebol não engolem e continuam a movimentar-se nos bastidores, no mínimo para aliviar itens que considerem casca de banana para si próprios. A bancada da bola continua atuante, de olho num universo muito particular e que não interessa ao torcedor, ao povo. É preciso vigilância, é necessário cobrar de deputados e senadores postura digna - nessa e em qualquer pauta séria. Caso contrário, continuaremos a andar para trás, ou no máximo ficamos empacados.

Enquanto isso... gol da Alemanha!

Pode isso?! Eis uma boa. Portais escancaram ontem projeto de lei 324/2015, apresentado na Câmara dos Deputados, em que os parlamentares Goulart (PSD/SP) e Andrés Sanchez (PT-SP) propõem a criação do Dia nacional do Corinthians, em 1.º de setembro, data de fundação do clube.

Uma pérola, e medida que mexerá profundamente com os destinos do Brasil. Algo de que realmente precisamos para melhorarmos nossa vida e que deve ter consumido horas de estudos, sem contar o quanto movimentou equipes de assessores e especialistas. O ex-presidente do Corinthians afirmou, em rede social, que não é o autor da proposta, mas a apoia. Então, seria interessante tirar o nome dele do projeto. Ou mostrar que a Câmara errou ao colocá-lo como co-autor...

Prova de fogo. A Libertadores mal começou e o São Paulo já se encontra na base do vai ou racha. A derrota para o Corinthians na estreia colocou pressão sobre os ombros de Muricy Ramalho e rapaziada. Por isso, a necessidade de vitória contra o Danubio, hoje à noite, no Morumbi.

Com uma lupa no grupo, não há espaço para erro. Ok, novo fiasco não significa a eliminação, mas é melhor nem pensar como será o peso nas quatro partidas restantes. Desta vez, Muricy decidiu não mudar muito, o que significa que Michel Bastos volta ao meio-campo, com Reinaldo na lateral-esquerda. Michel tem sido um dos destaques do time no setor e ótimo finalizador. Alteração pra valer no ataque, com Pato ao lado de Luis Fabiano. Escolha acertada, pois Pato tem jogado bem, enquanto Alan Kardec anda apagado.

O público pretende dar apoio, mas foram muitos relatos de dificuldade para compra de ingressos. Erro recorrente - domingo houve problemas para quem quis ver Lusa x Santos! -, na enésima e rotineira demonstração de que o consumidor continua a ser escrachado.

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