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Jogo no interior da Argentina atende a interesses políticos

Partida será disputada no acanhado estádio de Resistencia porque o governador é aliado de Cristina Kirchner

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2012 | 03h03

BUENOS AIRES - O Estádio Centenário, em Resistencia, palco de Brasil e Argentina, está em condições sofríveis. O gramado, por exemplo, é bastante irregular e ainda ontem funcionários corriam contra o tempo para deixá-lo em condições de jogo. No entanto, há uma forte razão para o Superclássico ocorrer lá: o governador da província do Chaco, uma das mais pobres do país e onde fica a cidade, é grande aliado da presidente Cristina Kirchner.

Cotado diversas vezes para ser vice de Cristina, além de eterno candidato a ocupar a chefia do gabinete de ministros, o governador Jorge Capitanich tenta capitalizar com o evento. Há poucos dias, declarou que o Superclássico "posicionará o Chaco como um lugar excelente para a realização de eventos esportivos nacionais e internacionais''.

O Chaco não tem a menor tradição no futebol. O estádio de Resistencia, para 25 mil pessoas, é acanhado. E normalmente abafada capital chaquenha não possui sistema hoteleiro capaz de receber torcedores, jornalistas e comitivas de ambos os times. Grande parte dos visitantes terá de ficar alojada na vizinha cidade de Corrientes, que conta com melhor infraestrutura.

O governo Kirchner alega que a escolha do Chaco deve-se à política de "federalização'' da presidente Cristina. Ou seja: levar os jogos de destaque às províncias que nunca tiveram acesso a eles.

Desemprego. Capitanich, acusado pela oposição de não passar de um caudilho, afirma que sua província não tem desemprego, já que o total de desempregados, segundo as estatísticas oficiais, era de apenas 0,4% - 600 pessoas, por seus cálculos. Mas o Instituto para o Desenvolvimento Social Argentino indica que o índice real, sem maquiagem estatística, seria de 21,1%. E há ONGs que consideram a situação ainda pior: 30% de desemprego.

Além disso, o Chaco também tem o maior índice de analfabetismo do país, com 5% - a média nacional é de 2%.

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