Jogos da seleção: sorte e azar

Lesão tira o goleiro Rafael da Olimpíada e abre uma chance para Neto, para surpresa de Mano

MATEUS SILVA ALVES , ENVIADO ESPECIAL , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h05

SAINT ALBANS - O destino foi cruel com Mano Menezes. Ele apostou tudo em Rafael, mas viu o goleiro do Santos se machucar em um treino a três dias da estreia nos Jogos de Londres e agora tem de escalar um jogador que jamais pisou um gramado usando a camisa da seleção brasileira, em qualquer categoria. Esse é Neto, da Fiorentina, um poço de inexperiência em quem o treinador é obrigado a confiar. É o tipo da "emoção" que o gaúcho, um homem frio e calculista, detesta.

O corte de Rafael, causado por uma lesão no cotovelo direito, foi anunciado na manhã de ontem e alguns minutos depois Neto estava em um dos gramados do CT do Arsenal, feliz da vida, fazendo seu primeiro treino com o status de titular da seleção. Ele está se preparando não apenas para a estreia do Brasil na Olimpíada, amanhã, contra o Egito, mas para a sua primeira partida pelo time nacional. O ex-jogador do Atlético-PR tem no currículo algumas convocações para a seleção principal, todas na "administração" Mano Menezes, mas nenhum minuto em campo.

Agora cabe a Mano juntar os cacos e remediar a situação. E ele começou a fazer isso ontem, em uma entrevista coletiva em que tentou minimizar a evidente falta de ritmo de jogo de Neto, que é reserva no clube italiano e jogou apenas duas partidas oficiais na última temporada. "Neto intensificou sua preparação no Atlético durante as férias para que se minimizasse a falta de continuidade de jogar. O ideal era que estivesse jogando, mas nem sempre se chega ao ideal", disse Mano, que tentou passar a impressão de que a seleção não perderá com a troca de Rafael por Neto. "São goleiros do mesmo nível. Neto está habituado à seleção brasileira, sabe da responsabilidade, está acostumado a desempenhar. Não vamos mudar nada no posicionamento da equipe, temos confiança na sua capacidade."

A aposta de Mano em Rafael ocorreu por causa de seu bom desempenho nos amistosos contra Estados Unidos, México e Argentina, entre o fim de maio e o começo de junho. O plano inicial era levar Jefferson, do Botafogo, aos Jogos, mas o técnico nunca apreciou muito a ideia de "queimar" uma das três vagas para jogadores com mais de 23 anos com um goleiro. O gaúcho precisava de um jogador da posição com idade olímpica em quem pudesse confiar e Rafael resolveu esse problema. Por isso a lesão do santista foi uma bomba jogada no colo do treinador.

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