Jogos de 2016 já batem recorde de arrecadação

Quatro anos antes de começar, competição do Rio já rendeu mais de R$ 10 bilhões ao Comitê Olímpico Internacional

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h04

LONDRES - A Copa do Mundo de 2014 pode estar mobilizando o Brasil. Mas são os Jogos Olímpicos de 2016 que estão gerando os lucros mais bilionários da história. O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou ontem que já arrecadou mais de R$ 10 bilhões com o evento no Rio, bateu todos os recordes em contratos e salvou os cofres da entidade, que também foi afetada pela crise econômica mundial.

O valor dos patrocínios e dos direitos de transmissão - que incluem os Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia - já supera tudo o que a Fifa conseguirá arrecadar com a Copa de 2014. Cartolas disseram ontem ao Estado que os países emergentes estão salvando o movimento olímpico, pelo menos financeiramente. Nos tradicionais países olímpicos, a ordem é cortar gastos e reduzir investimentos nos esportes.

O balanço financeiro apresentado ontem pelo COI revela que, pela primeira vez, os Jogos de 2016, no Rio, e os de Inverno, na Rússia, terão patrocínios oficiais de mais de US$ 1 bilhão. Um recorde. E a venda dos direitos de tevê atingirá mais de US$ 4 bilhões. Falando no Congresso anual do COI, o presidente da entidade, Jacques Rogge, apresentou a situação financeira do movimento olímpico como "sólida". A entidade vende seus pacotes de patrocínio e de tevê em acordos casados. Para que uma empresa possa mostrar os Jogos de Verão, é obrigada a também mostrar os de Inverno.

No caso da Copa, a Fifa prevê uma arrecadação no Brasil de US$ 3,8 bilhões, US$ 600 milhões a mais que no Mundial de 2010, na África do Sul.

Efeitos da crise. A arrecadação recorde do COI não significa que a crise não esteja sendo sentida. No que se refere ao programa de patrocínios, o crescimento é inferior ao que foi registrado entre 2004 e 2012, com aumento de quase US$ 100 milhões.

Na venda dos direitos de transmissão, uma expansão também é registrada. Mas a taxa de crescimento é mas baixa que em meados da década passada. Para os Jogos de Londres, chegou a US$ 3,9 bilhões, 50% acima do período anterior. Rogge estima que os acordos para o período 2014-2016 superarão US$ 4 bilhões. Mas, na melhor das hipóteses, a expansão será só de 5%.

"Não repetiremos a taxa de crescimento de 50%", disse Richard Carrion, responsável pela área financeira do COI. Ele disse ao Estado que o "boom dos emergentes" é fundamental na situação financeira da entidade.

Até agora, os eventos no Rio e em Sochi acumularam US$ 3,6 bilhões em acordos de tevê, e os acordos na Ásia ainda não foram fechados. "Levar os Jogos a novos territórios está ajudando a manter as contas sólidas", disse ao Estado o grão-duque de Luxemburg, Henri Guillaume, que é membro do COI.

Se o COI arrecada mais que a Fifa em eventos, redistribui também mais do que a entidade máxima do futebol. Em dez anos, o fundo de reserva da entidade passou de US$ 105 milhões para US$ 558 milhões. O que Rogge não declarou é que entre 2008 e 2009 a queda foi brusca e que o atual valor é só um resgate da situação. Na Fifa, o fundo é hoje de US$ 1,3 bilhão e um valor bem menor vai para as federações e para o país-sede da Copa.

Temendo que cidades de países emergentes usem todos os recursos disponíveis para sediar os próximos Jogos e inviabilizem qualquer chance de cidades de países desenvolvidos que vivem crises profundas, o COI propõe limitar os custos das olimpíadas a partir de 2020.

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