Felipe Dana/AP
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Jogos de Inverno de Sochi chegam ao seu último dia em paz

Competição era alvo de ameaças terroristas, mas questões políticas ficaram em segundo plano

O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 05h39

SOCHI - O temor de atentados terroristas não se confirmou, e a Olimpíada de Inverno mais cara da história termina neste domingo, às 13 horas, com a cerimônia de encerramento em Sochi. Passadas duas semanas, o brilho dos atletas em pistas de neve e gelo deixou questões políticas em segundo plano.

 

Os três últimos ouros da Olimpíada serão decididos antes da festa, com os 50 km cross country masculino, o bobsled masculino para quatro atletas, e o hóquei masculino, que terá a final entre Canadá e Suécia. Rússia e Noruega brigam pela primeira posição com o mesmo número de medalhas de ouro: 11.

 

Mas as polêmicas não deixaram de existir na Olimpíada. Enquanto se desenrolava a cerimônia de abertura, no dia 7, um homem tentou sequestrar um avião que ia para a Turquia e queria desviá-lo para Sochi. A lei antigay em vigor na Rússia causou a prisão de um ativista e de componentes da banda Pussy Riot. O calor surpreendeu na metade da competição – a cidade é um balneário à beira do Mar Negro – e já são quatro casos de doping. Resultados também foram contestados, especialmente na patinação artística, menina dos olhos do programa de inverno.

 

A Rússia caiu de amores pela leveza de suas atletas. Com duas adolescentes em destaque, o país comemorou o ouro por equipes e o inédito ouro no individual feminino.

 

Yulia Lipsnitskaya, de apenas 15 anos, brilhou na competição por equipes com a performance da música-tema do filme "A Lista de Schindler". Depois, coube a Adenila Sotnikonova, de 17, garantir o ouro individual em uma decisão muito criticada. Os fãs criaram até um abaixo-assinado na internet, que já reúne mais de 1 milhão de adeptos, para que o resultado seja revisto.

 

Para eles, a vitória foi da sul-coreana Yuna Kim, campeã em Vancouver-2010 e chamada de "rainha". Yuna, que anunciou sua aposentadoria após a competição, disse ter ficado aliviada com o fim da Olimpíada. E em nenhum momento contestou a sua medalha de prata.

 

Os russos também viram a polêmica bater à porta com os ouros de Viktor Ahn – ou Ahn Hyun-Soo. O atleta nascido na Coreia do Sul havia conquistado três ouros em Turim-2006 por seu país natal e renasceu, com outro nome, outra nacionalidade e mais três títulos na patinação de velocidade.

 

A questão é que Viktor teria fechado, em 2011, um contrato com a Federação Russa válido até 2014. A intenção era defender o país em Sochi. Todos negam, mas o fato é que o "novo russo" garantiu quase um terço dos ouros de seu novo país.

 

Sochi também acompanhou recordes. O mais notável deles veio com as conquistas do biatleta norueguês Ole Einar Bjoerndalen. Aos 40 anos, ele se tornou o mais velho medalhista da história dos Jogos de Inverno. Mas não só: tornou-se, também, o atleta com o maior número de medalhas conquistadas na competição, com um total de 13. O "Michael Phelps" da neve, conhecido em seu país como "canibal", levou em Sochi o ouro nos 10 km e no revezamento misto. Agora, ele soma oito ouros, quatro pratas e três bronzes na carreira.

 

No sábado, em sua última prova olímpica – ele afirma que vai se aposentar após a sexta participação nos Jogos –, o norueguês disputou o revezamento masculino 4 x 7,5 km. Sua equipe falhou na última rodada de tiros, e acabou com a quarta posição. As medalhas ficaram com Rússia, Alemanha e Áustria.

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