Anne-Christine POUJOULAT / AFP
Anne-Christine POUJOULAT / AFP

Jogos de Inverno têm cerimônia rápida e simples no Ninho de Pássaro, mesmo palco de Pequim-2008

China teve apoio de líderes mundiais, como o presidente russo Wladimir Putin, mas também enfrentou boicote dos Estados Unidos por causa de violações dos direitos humanos; atletas se mantiveram isentos; Brasil desfilou com quatro competidores

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2022 | 10h47

A cerimônia de abertura de Pequim-2022 foi realizada oficialmente nesta sexta-feira, tornando a capital da China a primeira cidade a organizar os Jogos de Verão (2008) e de Inverno, um marco na história olímpica, apesar de um contexto complicado, entre covid-19, tensões diplomáticas e algumas polémicas. O incrível Estádio Nacional de Pequim, mais conhecido pelo apelido de "Ninho de Pássaro", usado na Olimpíada de 2008, abrigou o brilho da cerimônia de abertura dos Jogos, com imagens impressionantes e o desfile de todas as delegações. Há quatorze anos, este espetáculo foi idealizado pelo diretor chinês Zhang Yimou, autor em 2008 de uma festa patriótica esplêndida e colorida, com 14.000 figurantes, dançarinos e acrobatas, sob uma profusão de fogos de artifício e efeitos especiais.

Zhang Yimou prometeu um show "totalmente inovador" desta vez, reconhecendo que teve de levar em conta as temperaturas frias ( -6°C anunciado) e a ameaça epidêmica de conceber sua cerimônia, que desta vez reuniu apenas 3.000 artistas, com uma grande maioria de adolescentes e sem público nas arquibancadas, tornando o Ninho um vazio imenso, bem diferente do que se viu em Pequim em 2008.

Como manda a tradição, a vigésima quarta edição dos Jogos Olímpicos de Inverno da história só começará oficialmente quando o presidente chinês Xi Jinping os declarar "aberto", segundo a fórmula decidida para o evento. É uma tradição dos Jogos. O resto, desde a cerimónia até à identidade do último revezamento da chama que acenderá a pira olímpica, foi protegido como segredo de Estado, visto somente na festa "O período é diferente. Nosso conceito é simples, seguro e esplêndido", disse Zhang Yimou. Com a pandemia, mesma praga que tirou muito do brilho dos Jogos de Tóquio, no ano passado, a cerimônia foi rápida e não teve características de uma grande festa, embora os chineses tenham se empenhado em fazer uma bonita cerimônia, bastante colorida.

Os atletas estão confinados a uma bolha sanitária e submetidos a controles diários de PCR. Como Pequim aplica uma estratégia de zero covid, nenhum contato com a população está autorizado. As arquibancadas dos locais de competição estarão parcialmente usadas, mas apenas por convidados, que devem respeitar as distâncias sociais. Entre os espectadores da cerimônia de abertura, boicotada por vários países ocidentais com os Estados Unidos na liderança para denunciar violações de direitos humanos na China, a presença de dezenas de líderes mundiais, incluindo o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e o presidente russo, Vladimir Putin. Em encontro bilateral com Xi antes da cerimônia de abertura, Vladimir Putin comemorou as relações "sem precedentes" que tem com a China e seu presidente e criticou o Ocidente.

"Hoje podemos dizer que a China é um país de esportes de inverno", disse nesta quinta-feira o presidente do COI, Thomas Bach. Os 2.900 atletas em disputa, representando 92 países, incluindo o Brasil, para um total de 109 títulos olímpicos em jogo, tentam ficar fora das polêmicas, focando nos Jogos como um momento único em suas carreiras. A maioria mira o esporte apenas, mas há quem se sinta mal por ter de competir na China, como o britânico Gus Kenworthy, vice-campeão olímpico em 2014 na pista de esqui. "Não acho que um país que tenha problemas terríveis em termos de direitos humanos deva ser autorizado a sediar os Jogos", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.