Jogos: segundo lugar também vale ouro

A choradeira dos canadenses Jamie Sale e David Pelletier, que ficaram com a medalha de prata na patinação artística, deu certo. Nesta sexta-feira, depois de uma reunião, a federação internacional da modalidade resolveu que a dupla também ganharia uma medalha de ouro, sem tirar a primeira colocação dos russos Yelena Berezhnaya e Anton Sukharulidz nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City.Marie-Reine Le Gougne, juíza francesa que teria sido pressionada para dar a vitória aos russos - que resultou no desempate da prova em 5 a 4 para os russos - será suspensa, segundo a decisão de Ottavio Cinquanta, presidente da federação. Quem falou da "manipulação" foi o próprio presidente da entidade da qual ela faz parte. "O Comitê Executivo aceitou a proposta da Federação Internacional de Patinação de outorgar dois ouros, além de anular o voto da francesa", afirmou uma fonte do Comitê Olímpico Internacional que não quis se identificar.Questionado se a decisão tomada havia sido correta, Jacques Rogge, presidente do COI, afirmou: "Sim, está certo. Além disso, todos os atletas ficaram de acordo." (Rogge havia dito que o problema era da federação internacional, já que essas entidades têm autonomia.)Aliviada, Jamie disse à televisão canadense: "Todos sabiam que nós merecemos vencer e vamos levar a medalha de ouro para casa. É isso que importa. Queríamos apenas a verdade e acho que agora tudo está correto." Seu parceiro emendou: "Não é um problema entre nós e os russos. É sobre a importância do esporte que amamos. Justiça foi feita e esta é a melhor sensação do mundo. Espero que essa confusão não suje a imagem da patinação."A decisão tomada pela Federação Internacional de Patinação não é inédita. Em 1993, o COI deu um segundo ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona/92 no nado sincronizado para a canadense Sylvie Frechette. A Federação do país protestou contra a prata porque um juiz brasileiro digitou 8,7 na nota, quando sua intenção era dar 9,7, o que significaria o ouro para Frechette. A norte-americana Kristen Babb-Sprague, que ficaria em segundo lugar, manteve o ouro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.