Chris Young/AP
Chris Young/AP

Jon Jones bate Gustafsson e mantém cinturão em luta histórica do UFC

Renan Barão nocauteia e garante permanência do título dos galos ao Brasil

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2013 | 08h53

TORONTO - Jon Jones fez tudo como mandava sua cartilha: chegou com pés e mãos no chão. “Meditou” antes de entrar no octógono. Deu estrelinha. Favorito inquestionável, o campeão dos meio-pesados (até 93 kg) parecia certo da décima vitória consecutiva no UFC, assim como fãs e críticos. Diante da trajetória da atual sensação do MMA, o triunfo parecia algo para se tirar de letra. Ledo engano.

A vitória veio, mas não da forma como todos esperavam. Em uma luta histórica, Alexander Gustafsson fez o norte-americano suar como nunca. Foram longos cinco rounds, a maioria deles equilibrados. E o que parecia ser uma luta simples, transformou-se em apreensão do início ao fim. Por decisão unânime, Jon Jones manteve o cinturão da categoria. Também ultrapassou Tito Ortiz ao defender o título pela 6ª vez, tornando-se o maior vencedor entre os meio-pesados. Mas quem arrancou aplausos e chamou a atenção do mundo na madrugada deste domingo foi o sueco.

Desde o início, Jon Jones não teve vida fácil. O primeiro round foi marcado por uma postura agressiva dos dois lados, com Gustafsson surpreendendo e colocando o campeão para baixo, para delírio da torcida. O norte-americano ainda teve a atenção chamada pelo juiz depois de acertar um dos dedos no olho do adversário.

Muito movimentada, a luta quase foi para o chão de novo, em mais uma tentativa do sueco. Jon Jones voltou para o segundo round mais ativo, testando e acertando uma quantidade maior de golpes em Gustafsson. Mas o sueco conseguiu se manter em pé, desvencilhando bem do norte-americano. O duelo continuou muito equilibrado.

No terceiro assalto, a disputa se limitou ao cansaço de ambos. Tanto que o combate ficou mais lento. Os golpes disparados por Gustafsson deixaram o rosto de Jon Jones sangrando. Atrás no placar, o norte-americano ganhou sobrevida ao acertar uma cotovelada já no minuto final do quarto assalto. O golpe, seguido por algumas joelhadas, desequilibrou o sueco pela primeira vez na noite. Mas nada estava definido, e a luta foi para o quinto e último round.

O público não esperava ter de aguardar tanto tempo para conhecer o dono do cinturão dos meio-pesados. Alguns socos, mais uma tentativa de queda por parte de Gustafsson, mas apenas no começo. Sem forças para continuar, os dois só aguardaram o fim da luta marcado pelo cronômetro - espiado por Jon Jones em certo momento.

Surpreendido com o ótimo desempenho do adversário, o líder do ranking peso por peso não comemorou muito. Sob os olhares de seu futuro adversário, o brasileiro Glover Teixeira, o norte-americano saiu da Arena Canada Centre preocupado. “Eu não estou satisfeito com o que eu fiz. Tenho que trabalhar mais”, disse ainda no octógono.

RENAN BARÃO

A “paraibagem” de Renan Barão foi devastadora, mais uma vez. Em sua segunda defesa do cinturão interino dos galos (até 61 kg), o brasileiro não decepcionou e nocauteou o norte-americano Eddie Wineland com um chute rodado espetacular. Com a vitória, o potiguar alcança a surpreendente marca de 31 vitórias diante de apenas uma derrota em toda a carreira no MMA.

O primeiro round foi bastante equilibrado, com Barão atacando um pouco mais o adversário. Em pé, a luta se resumiu a chutes e trocação dos dois lados. O potiguar ainda tentou, em dois momentos, golpear Wineland com chutes rodados, sem sucesso.

Mas nada que a experiência do treinador, Dedé Pederneiras, não resolva. Antes de voltar ao segundo round, Barão ouviu os conselhos do técnico e, dessa vez, foi certeiro: atingiu o rosto do norte-americano com o pé direito em um chute rodado perfeito e inédito. Eram apenas os primeiros segundos do segundo assalto. Agarrado e sem poder de reação, Wineland só aguardou o juiz interromper a sequência de socos do brasileiro.

Com a vitória sobre Wineland, Barão não mantém apenas o título temporário da categoria. O potiguar também pressiona o chefe Dana White a promover o quanto antes uma luta contra Dominick Cruz, dono “oficial” do cinturão dos galos, afastado por lesão há mais de dois anos. “Esse cinturão é meu. Daqui não sai. Que venha Dominick Cruz, que venha quem vier”, disse Renan Barão ainda no octógono.

MAIS BRASILEIROS

Michel Trator e Wilson Reis garantiram mais duas vitórias ao País ao derrotarem Jesse Ronson e Ivan Menjivar, respectivamente, na noite de sábado. Já o peso leve Renee Forte não teve um dia de sorte e acabou caindo diante do dono da casa John Makdessi por nocaute técnico.

Confira todos os resultados do UFC 165:

CARD PRINCIPAL

*Jon Jones x Alexander Gustafsson – Decisão unânime

*Renan Barão x Eddie Wineland – Nocaute técnico

Brendan Schaub x Matt Mitrione – Finalização

Costa Philippou x Francis Carmont – Decisão unânime

Pat Healy x Khabib Nurmagomedov – Decisão unânime

CARD PRELIMINAR

Mike Ricci x Myles Jury – Decisão dividida

Ivan Menjivar x Wilson Reis – Decisão unânime

Chris Clements x Stephen Thompson – Nocaute

Mitch Gagnon x Dustin Kimura – Finalização

John Makdessi x Renee Forte – Nocaute

Michel (Trator) Prazeres x Jesse Ronson – Decisão dividida

Roland Delorme x Alex Caceres – Decisão dividida

Nandor Guelmino x Daniel Omielanczuk – Nocaute

*Valendo cinturão

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