Jorginho assume Fla inspirado em Real e Barça

Em sua apresentação ao clube, ele disse também que não se deve misturar futebol com religião. O técnico estreia no sábado

SÍLVIO BARSETTI / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h05

O Flamengo queria se desfazer de Dorival Júnior e esperou o primeiro tropeço dele - derrota na estreia na Taça Rio para o Resende (3 a 2), na semana passada - para contratar Jorginho, 48 anos, auxiliar de Dunga na seleção brasileira na Copa de 2010 e, como lateral-direito, campeão mundial em 1994.

Para tentar dar novo rumo ao Flamengo, Jorginho afirmou que quer levar para o time a filosofia de jogo empregada por Real Madrid e Barcelona, clubes em que estagiou por alguns meses. Para promover a mudança, o técnico disse que deve haver sincronia entre o trabalho dos times de base e o do profissional.

Na entrevista que concedeu ontem, na sede do clube, Jorginho enfatizou que hoje se sente totalmente preparado para trabalhar no Flamengo e que os quatro anos na seleção lhe serviram de aprendizado.

"Foi uma experiência incrível, o tempo passou e me deixou mais amadurecido." Jorginho deixou claro que não vai misturar religião com futebol - evangélico, ele organizava cultos na concentração da seleção na África do Sul, o que gerou algumas críticas até mesmo de dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "Religião é uma coisa extra, cada um na sua."

Jorginho vai viver sua quinta experiência como técnico. Na primeira, levou o América a ser vice-campeão da Taça Guanabara em 2006 - o clube não chegava a uma final de turno do Campeonato Carioca havia mais de duas décadas. O trabalho no América e a amizade com Dunga o conduziram à seleção em 2007 - ele saiu de lá depois do fracasso da equipe na África do Sul. No time nacional, ele e Dunga viveram momentos conturbados na relação com a imprensa e com integrantes da comissão técnica.

Depois disso, Jorginho foi técnico do Goiás por pouco tempo, quase levou o Figueirense à Libertadores, e, por último, dedicou-se ao Kashima Antlers, do Japão. Antes, já havia recusado dois convites para treinar o Flamengo, em 2009 e 2012. Na primeira vez, porque não queria deixar a seleção às vésperas de um Mundial. Na outra, por não se achar pronto para o desafio e por ter um compromisso ainda em curso com o Kashima.

Ele assinou contrato até dezembro de 2014 com o Flamengo e já vai estrear no sábado, em jogo contra o Boavista, pela segunda rodada da Taça Rio.

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