Jornal acusa Lance Armstrong de doping

"L Equipe", o principal jornal esportivo da França, está revelando que um dos maiores ciclistas de todos os tempos, o norte-americano Lance Armstrong, sete vezes vencedor do "Tour de France", a maior prova de ciclismo de todo o mundo, utilizou a substância proibida EPO quando da sua primeira vitória, em 1999. O jornal obteve provas contundentes - os resultados das análises cientificas feitas junto ao laboratório de Chatenay-Malabry, além de uma série de documentos oficiais contrariando o que o ciclista sempre disse, isto é, que jamais utilizou qualquer substância que pudesse ser confundida com doping. Imediatamente, o ciclista procurou desmentir os fatos, através de seu site na internet, afirmando que está sofrendo uma campanha da imprensa francesa que visa unicamente denegrir sua imagem de esportista modelo. Sua última vitória no "Tour de France" ocorreu no final do mês de julho passado, quando o ciclista dos Estados Unidos, mal amado da imprensa européia, anunciou ainda na avenida dos Champs Elysées, pouco depois de ter se sagrado campeão, seu afastamento definitivo desse esporte. Muitas vezes suspeito de ter sido tratado com substâncias proibidas, nunca se provou nada contra o ciclista, razão pela qual as provas publicadas pelo jornal esportivo francês são consideradas definitivas. Traços de EPO foram encontrados seis vezes nos exames de urina do campeão originário do Texas, em amostras recolhidas em 1999, mantidas congeladas, mas só agora analisadas. Desde que voltou a participar de provas ciclistas, após um longo tratamento de quimioterapia para tratamento de um câncer nos testículos, Lance Armstrong sempre desmentiu ter utilizado produtos dopantes como o EPO, como atesta uma entrevista concedida ao mesmo jornal "L´ Equipe", datado de 20 de julho de 1999. Nessa entrevista, ele desmente categoricamente ter recorrido a EPO, mas também a outros produtos desse tipo para tratamento de seu câncer, tendo acrescentado: "Afirmo e repito. Jamais tomei algum medicamento dessa natureza para tratamento de meu câncer". Em janeiro deste ano, ele voltou ao assunto confirmando: "jamais consumi drogas ou medicamentos que possam favorecer minhas performances". Segundo especialistas franceses, desde sua primeira vitória no "Tour de France", Lance Armstrong sempre esteve envolvido por uma atmosfera de suspeitas que nunca desapareceram, apesar de só agora surgirem as primeiras provas concretas. Desde 1999, pelo menos seis casos são conhecidos envolvendo diretamente o ciclista norte-americano, época em que começaram os controles desse e de outros produtos semelhantes, todos estimulantes ou produtos que melhoram o transporte de oxigênio no interior do corpo humano. Em janeiro deste ano, o procurador da República de Annecy, cidade do interior da França, determinou a abertura de um inquérito preliminar visando alguns homens do staff de Armstrong por suspeita de doping. O laboratório francês, responsável pelos exames, transmitiu ao Ministério dos Esportes e à Agência Mundial Antidoping (AMA) os resultados relativos à detecção de EPO. Eles provinham da análise de amostras de urina de ciclistas que participaram da prova de 1999, época em que as técnicas ainda não permitiam detectar a presença desta substância. O produto foi encontrado em doze das amostras, sendo seis provenientes da urina de Lance Armstrong.

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