Jornal inglês diz que sul-africana é ''homem''

Campeã dos 800 m teria nível de testosterona três vezes maior do que o normal em mulher

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2009 | 00h00

Para os sul-africanos, não importa se Caster Semenya tem aparência masculinizada e voz grossa. Ela é a heroína de um país. Hoje, a campeã mundial dos 800 metros chegará em Johannesburgo e uma grande festa por seu retorno já é esperada no aeroporto da cidade. "Eu estarei lá", disse o pai, Jacob, à agência de notícias Associated Press. Caster e outros dois medalhistas - Mbulaeni Mulaudzi, ouro nos 800 m masculino, e Godfrey Mokoena, prata no salto em distância - serão recebidos pelo presidente Jacob Zuma.Mas a polêmica a respeito da investigação de gênero a que Caster foi submetida continua. Ontem, o jornal inglês Daily Telegraph informou que o teste de feminilidade da atleta mostra que ela possui o nível de testosterona três vezes superior ao das mulheres em geral. Essa é a única informação publicada pelo diário em seu website.Para o fisiologista Turíbio Leite de Barros, a informação não indica se Caster é homem ou mulher. "O nível hormonal não discrimina gênero. O sexo é determinado com base em exames cromossômicos, algo bastante simples de se fazer." Em linhas gerais, quando um quadro como esse é apresentado, uma investigação é o passo seguinte. "O índice é uma evidência e é preciso buscar se há produção da testosterona."O fisiologista lembrou do caso da judoca Edinanci Silva, que foi submetida a teste de feminilidade antes da Olimpíada de Atlanta, em 1996. A atleta tinha índices do hormônio superiores ao da maioria das mulheres por causa da produção de testosterona. Mas ficou provada que a origem da substância era endógena, ou seja, do próprio corpo. Caso seja comprovado que a testosterona é exógena (produzida artificialmente), a questão é outra, lembra Turíbio. "Iria tratar-se de um caso de doping."Essa hipótese não é descartada no caso Carter. Segundo o Telegraph, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) vê com preocupação o fato de Ekkart Arbeit ser o técnico-chefe da equipe sul-africana. Ele foi um dos mais atuantes especialistas no uso de substâncias dopantes na antiga Alemanha Oriental. Arbeit, contudo, afirma que está arrependido do seu passado e que não fez mais uso de tais métodos após a queda do muro de Berlim, em 1989.

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