Jorvan Vieira usa a bola para unir os iraquianos

Na seleção, técnico consegue acabar com desavenças entre atletas de etnias diferentes

Martin Petty, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2026 | 00h00

Quando Jorvan Vieira aceitou treinar a seleção do Iraque, a maioria das pessoas pensou que ele estava louco. O brasileiro entrou no caos, recebeu pouco apoio e assumiu um time dividido pelas lutas sectárias. Depois de apenas dois meses no cargo e de levar a equipe à final da Copa da Ásia, ele conquistou o que muitos iraquianos pensavam ser impossível. ''''No país deles, é iraquiano contra iraquiano, mas eu disse aos jogadores que nós não estávamos em guerra'''', contou Vieira. ''''Tentei uni-los. Agora eles estão juntos, se beijam, apertam as mãos. Eles não estão lutando.''''Vieira, 54 anos, pouco conhecido no Brasil, mas bem conceituado na Ásia e na África - já trabalhou em 26 clubes e seleções em 15 anos de carreira como técnico -, pondera que não é mágico. ''''Mas sei que o futebol pode mudar as pessoas.''''''''As últimas semanas têm sido difíceis para ele. Problemas políticos, falta de infra-estrutura e recusa de clubes em liberar jogadores têm atrapalhado o trabalho. Mesmo assim, acredita que o time pode ser campeão. ''''Nunca tive tão pouco tempo para preparar a equipe, então tive de prepará-la mentalmente apenas para vencer. O caminho do vencedor, com pensamento de vencedor'''', disse Vieira. ''''Não posso falar sobre meus problemas e dizer que não faremos nada porque não sou um perdedor.''''O futebol não escapou da violência diária no Iraque, onde funcionários da Federação foram mortos e juízes e jogadores seqüestrados desde a invasão liderada pelos EUA em 2003. Muitos jogadores têm cicatrizes mentais provocadas pelo caos cotidiano: família e amigos de jogadores seqüestrados ou mortos, um funcionário da equipe técnica levado por gangues. ''''Eles têm tanta dor que tenho de ser não apenas um técnico, mas também psicólogo, pai e amigo.''''Vieira deixará o futebol em 2009 para viver em Portugal, com mulher e filho de quatro anos. E pretende deixar uma última marca no futebol iraquiano: ''''Espero poder fazer a diferença.''''

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.