Joseph Blatter diz que o Brasil queria 17 sedes

O Brasil está sendo criticado por estar sediando uma Copa fora das dimensões convencionais e com mais estádios do que seriam necessários. Mas, segundo o presidente da Fifa, Joseph Blatter, os organizadores brasileiros queriam um Mundial ainda maior, com outras cinco cidades além das 12 escolhidas.

JAMIL CHADE/GENEBRA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 02h04

Se o projeto brasileiro tivesse sido acatado, a Copa seria mais de duas vezes o tamanho sugerido pela Fifa. Em uma entrevista ao jornal suíço Le Temps publicada ontem, Blatter conta que o Brasil chegou a propor a construção de 17 estádios para sediar a Copa, e que a Fifa que conseguiu convencer autoridades e CBF a reduzir o número para 12.

Em 2007, a Fifa indicou para a CBF que queria entre oito e dez estádios para sediar a Copa. Mas o governo e a CBF acabaram convencendo a Fifa a realizar o Mundial em doze estádios, o que tornou o Mundial no Brasil o mais caro da história. Ao distribuir a Copa em 12 sedes, o Brasil criou problemas logísticos para seleções e torcedores. Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, chegou a alertar que os torcedores seriam os que mais sofreriam diante do desafio de viajar pelo País.

Nos bastidores da Fifa, dirigentes revelam ao Estado que a distribuição das sedes foi uma decisão política, tomada pelo governo brasileiro em conjunto com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Em 2007, no momento que a Fifa anunciou o Brasil como sede da Copa, estavam em Zurique os seguintes governadores: Eduardo Braga (AM), Alcides Rodrigues (GO), Ana Júlia Carepa (PA), José Serra (SP), Sérgio Cabral (RJ), Aécio Neves (MG), Binho Marques (AC), José Roberto Arruda (DF), Jacques Wagner (BA), Cid Gomes (CE), Blairo Maggi (MT) e Eduardo Campos (PE). Isso, claro, além de Lula e alguns de seus ministros.

Agora, Blatter usa justamente esse arranjo político para justificar a presença de cidades como Manaus na Copa. Para ele, a responsabilidade é exclusivamente das autoridades brasileiras. "Não foi uma decisão da Fifa jogar em Manaus, mas do governo brasileiro."

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