Judô tem desafios após ?Era Mamede?

A judoca Daniele Zangrando, medalha de bronze no Campeonato Mundial do Japão, em 1995, e no Pan-Americano de Winnipeg, em 1999, ainda comemora a queda do poder da família Mamede após 21 anos no controle da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), mas lamenta que os novatos não tenham o mesmo espírito de união de Aurélio Miguel e seus companheiros - para ela, "os principais responsáveis pelas revoluções na modalidade."Desde sexta-feira Joaquim Mamede Júnior não é mais o presidente da CBJ. Mas ainda nada mudou de fato. Daniele defende que cabe aos jovens judocas acompanhar o mandato do presidente Paulo Wanderley e se a entidade será, finalmente, mais moderna e democrática."Infelizmente, hoje nós, judocas, não adotamos posições e não brigamos como deveríamos por mudanças", criticou a peso leve. "É muito difícil surgir uma nova geração assim, com a amizade deles, e com esse intuito de exigir, investigar e cobrar." Daniele observa que entre as mulheres, a postura é ainda pior. "Não estamos preparadas para assumir esta briga. No judô, cada um pensa em si."Desde que começou a lutar, em 1994, Daniele só conheceu o trabalho de Mamede. "Era uma monarquia. Espero agora uma democracia, mas que não vire demagogia."A atleta do Pinheiros gostaria que o esporte trabalhasse com uma seleção permanente, como Cuba. Na sua opinião, até ajudaria a criar um "espírito de grupo." Sem contar o aspecto técnico em si. "Os técnicos e os preparadores físicos cubanos ficam na boca do dojô orientando, dizendo o que deve ser feito nos treinos."Aurélio Miguel, campeão olímpico em Seul, em 1988, e medalha de bronze em Atlanta, em 1996, alerta para a falta de "guerreiros", mas aponta Carlos Honorato, Flávio Canto e Tiago Camilo como possíveis sucessores na continuidade pela luta para a moralização do judô. "Mesmo sem o Mamede é preciso ficar atento às mudanças, cobrar atitudes e respeito.""Acho que não dá para eu assumir este papel. Sou muito bonzinho", brincou Honorato, medalha de prata na Olimpíada de Sydney, em 2000. "Os mais velhos têm de continuar ainda por muito tempo para ajudar na nova administração."Mundial - Daniele, estudante do quinto ano de Direito da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), não vai disputar as etapas do circuito europeu na Holanda e Itália, nessa semana, porque na época das inscrições para os torneios, a eleição na CBJ estava indefinida. "Para quem ficaria o dinheiro?" Ela temia pagar pela viagem para Mamede e depois para a nova direção da entidade, uma vez que os atletas e seus clubes arcavam com as despesas para competir. As etapas do circuito fariam parte de sua preparação para o Campeonato Mundial de Judô, na Alemanha, em julho. Daniele está classificada para a seletiva, em maio.

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