Ana Cardenes/EFE
Ana Cardenes/EFE

Judoca é 1º a conseguir índice para representar a Palestina em Olimpíada

Desde 1996, nação participa dos jogos a convite do COI; atleta diz que falta de recursos é motivo

EFE,

14 de junho de 2012 | 15h11

JERUSALÉM - O judoca Maher Abu Rmeileh fez história ao se tornar o primeiro atleta palestino a garantir índice para participar dos Jogos Olímpicos, em Londres, entre julho e agosto deste ano.

 

Desde 1996, a Palestina só tinha participado do evento com delegação de esportistas convidados pelo Comitê Olímpico Internacional.

 

Comerciante nos arredores de Jerusalém, o atleta de 28 anos, acorda diariamente às 5h, para treinar duas horas pela manhã, antes do expediente na loja de roupas e bolsas. Após o horário de trabalho, são mais duas horas de treino. Depois das 21h, ele volta para casa, onde reencontra a mulher e os dois filhos, de 6 e 4 anos.

 

"Quando me chamaram no Comitê Olímpico, não pude acreditar", disse o atleta à Agência Efe. O competidor afirmou que estava ciente das chances de ir aos Jogos, devido a seu desempenho no Mundial de Tóquio, no Japão, mas não acreditava que era o suficiente para ir à Londres.

 

Maher treina a 22 anos em um ginásio local. Há um mês, ainda pagava o equivalente a R$ 207 para treinar, por não receber qualquer ajuda para as despesas com o esporte.

 

No local, o Clube Al Quds, os judocas treinam em uma modela sala multiuso, que também serve como sala de reuniões e ginásio, onde colchonetes precários e cadeiras amontoadas dividem espaço.

 

"Meu pai foi meu primeiro treinador. Com seis anos me levou ao ginásio e começou a me ensinar. Me ver chegar aos Jogos Olímpicos era seu sonho, e também o meu e de toda a família", conta Maher.

 

Perguntado sobre os motivos pelos quais nunca um palestino se classificou para os Jogos, o judoca afirma que um dos problemas é que "as federações não têm fundos para enviar seus atletas ao exterior e, se não competem fora, não conseguem os pontos necessários".

 

Maher sabe que encontrará "concorrentes muito fortes em Londres". Para ele, o grande diferencial é que estes atletas se dedicam exclusivamente ao treinos e competições. "Isso não existe na Palestina", explica.

 

Ainda assim, o atleta diz que a posição de franco atirador é dura, mas ainda assim ele aposta no seu potencial. "Eu não tenho dinheiro nem ajuda, mas tenho a vontade e capacidade de luta".

 

A Federação de Judô Palestina tenta encontrar uma maneira de levar o atleta a um período de treino intensivo, um mês antes dos Jogos. "Algum país forte como o Usbequistão", revela esperançoso lutador.

 

Outros quatro palestinos também irão aos Jogos, porém como convidados, pois nenhum deles conseguir atingir o índice para participar do evento. A participação da Palestina no evento acontece desde 1996, quando foram convidados pelo COI após o estabelecimento da Autoridade Nacional Palestina.

 

Apesar de sonhar com uma medalha de ouro, o lutador carrega consigo um desejo mais imediato: que o Comitê Olímpico Palestino lhe conceda a honra de ser o porta-bandeira da Palestina na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, que acontecerá no próximo dia 27 de julho.

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