Judoca olímpico luta contra o peso

Após ficar de fora da seleção brasileira que disputará o Mundial da Alemanha, de 26 a 29 de julho, em Munique, o judoca Carlos Honorato descobriu a importância de ter uma nutricionista. Cinco quilos acima do limite da categoria médio (até 90 quilos), Honorato teve de disputar a última seletiva, sábado, em Vitória (ES), como meio-pesado (até 100 quilos). Perdeu as duas primeiras lutas da sua chave e, desclassificado, nem entrou no tatame para disputar o terceiro combate. "Na segunda-feira mesmo vou procurar uma nutricionista. Tenho de descobrir o quanto posso perder de peso sem prejudicar minha massa muscular", declara o judoca, que na Olimpíada de Sydney, em 2000, ficou com a medalha de prata na categoria médio."Só com os resultados dos testes poderei saber se terei de mudar de categoria e subir para a meio-pesado", afirmou Honorato. O judoca meio-pesado que vai ao Mundial é o olímpico Mário Sabino. Na categoria médio, o campeão foi Edelmar Branco Zanol, que recupera a auto-estima. Na seletiva para Sydney, ficou com a vaga ao vencer Honorato, mas por causa de uma contusão nas costas, não foi à Austrália. "Ganhar uma vaga em seletivas no Brasil é tão difícil quanto lutar lá fora. Comparo o campeão ao, no mínimo, o oitavo judoca do mundo. Por isso muitos favoritos ficaram fora do Mundial", opina.Gordinho - Honorato decidiu um dia antes da seletiva mundial lutar na categoria meio-pesado. "Na pesagem oficial vi que não conseguiria perder mais peso." O judoca, com "mais de sete quilos" acima do seu peso ideal, começou a fazer regime 15 dias antes da seletiva, porém sem orientação profissional. Há dois meses, perdeu o patrocínio do videoquê Ralf Eletronics e conta apenas com a ajuda de custo da Prefeitura de São Caetano (cerca de R$ 2 mil). "Eu que escolhia o que comer", conta, ao detalhar o cardápio: de manhã, uma fruta ou um copo de leite - "às vezes não comia nada". No almoço, bife, salada e arroz. E à noite, um copo de suco. "Estava com a cabeça voltada para uma categoria e lutei em outra. Isso atrapalhou", acredita o atleta, que perdeu velocidade nos golpes.A família, ao menos, comemorou a conquista da vaga do meio-médio Flávio Honorato. Para Carlos, resta a seletiva para a Universíade (em agosto, na China), dia 16, em São Paulo, em categoria indefinida.

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