Toru Hanai/Reuters
Toru Hanai/Reuters

Judoca Rafaela Silva é desclassificada por golpe ilegal

Brasileira atacou as pernas da húngara Hedvig Karakas, manobra irregular desde o final de 2009

WILSON BALDINI JR., Agência Estado

30 de julho de 2012 | 08h19

LONDRES - Uma dura decisão dos árbitros causou, nesta segunda-feira, a eliminação da brasileira Rafaela Silva da categoria até 57kg do judô olímpico. A atleta de 20 anos, cria de Flávio Canto no Instituto Reação, foi desclassificada depois de dar um golpe na húngara Hedvig Karakas atacando as pernas da rival, o que é proibido.

A nova regra, que desclassifica o judoca que atacar diretamente a perna do rival, vale desde o fim 2009, quando a Federação Internacional de Judô (FIJ) decidiu barrar o golpe, que vinha causando o favorecimento ao judô do leste europeu em detrimento àquele tradicional, praticado nos países asiáticos. A regra não impede que se segure na perna do adversário em situação de defesa ou depois do golpe de ataque já dado.

Rafaela era favorita a uma medalha em Londres. Ela chegou aos Jogos como terceira cabeça de chave e ainda pegou um chaveamento privilegiado, que a faria encontrar a japonesa Kaori Matsumoto apenas em uma eventual final. Outra atleta com grande expectativa de pódio, a portuguesa Telma Monteiro, posicionada entre a brasileira e a japonesa no ranking olímpico, já havia sido eliminada precocemente.

Na luta contra a húngara, 13.ª do ranking olímpico, Rafaela Silva vinha tendo dificuldades em acertar um golpe. A dois minutos do fim, conseguiu derrubar a rival, pontuando com um wazari. Logo em seguida, porém, os árbitros analisaram o golpe no vídeo e viram que a brasileira, no meio do movimento de derrubada, trançou seu braço atrás da perna da húngara. E isso é ilegal no judô.

Quando os árbitro sinalizaram a punição, que a desclassificava dos Jogos, Rafaela Silva se mostrou inconformada e desabou chorando no chão. A adversária, depois de alguns segundos, se dirigiu até a brasileira, a levantou, e deixou o tatame.

Já Rafaela Silva só conseguiu sair do local da luta amparada pela técnica Rosicléia Campos. A judoca não quis conceder entrevistas ao se dirigir para o vestiário e passou pelos repórteres soluçando.

A luta foi válida pelas oitavas de final e, por isso, ela não tem mais chances de ir para a repescagem. Na estreia, a brasileira havia vencido a alemã Miryam Roper. No começo da luta, as duas foram punidas por falta de combatividade. Pouco depois, a europeia recebeu mais um shidô e Rafaela Silva ficou em vantagem de um yuko. Até o fim da luta, só a brasileira atacou, conseguindo mais um yuko.

 

Por meio da ferramenta Storify, o Estadão.com.br reuniu comentários dos internautas sobre a desclassificação da judoca.

 

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