Matt Dunham/AP
Matt Dunham/AP

Judoca saudita é liberada para lutar com véu nos Jogos

Wojdan Ali disse que se recusaria a lutar se não pudesse usar seu lenço característico

AE, Agência Estado

31 de julho de 2012 | 11h08

A polêmica quanto à permissão para que uma judoca saudita compita em Londres usando um véu muçulmano parece ter chegado a um final feliz nesta terça-feira. A Federação Internacional de Judô (FIJ) acabou convencida e liberou a utilização do lenço envolto ao rosto da judoca em respeito à "sensibilidade cultural". Ela luta na sexta-feira.

Inicialmente, a postura da FIJ era de não permitir que Wojdan Ali Seraj Abdulrahim Shahrkhani usasse o lenço característico para competir. A alegação era que isso iria contra o princípio dos esportes e afetava a segurança dela e das suas adversárias. A saudita, porém, disse que se recusaria a lutar se não pudesse usar o seu véu.

A participação de Shahrkhani nos Jogos de Londres é importante porque até 2012 a Arábia Saudita nunca havia permitido a presença de atletas mulheres em Olimpíadas. Foi necessária uma grande negociação para que a autorização fosse dada e a judoca convidada a participar da competição - ela não é faixa-preta de judô.

O governo da Arábia Saudita, porém, impôs que Shahrkhani e também uma corredora de 800 metros, Sarah Attar, as duas únicas mulheres daquele país em Londres, usem a burca, que cobre todo o corpo, o que a judoca também não abria mão.

O anúncio do acordo foi feito em nota conjunta da FIJ e do comitê saudita. "Eles encontraram uma solução que funciona para as duas partes, para todos os envolvidos. A atleta vai competir", garantiu o porta-voz do COI, Mark Adams. "A solução é um bom balanço entre a segurança e considerações cultural", explica a nota, sem dar maiores detalhes de como será utilizada a roupa.

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