Judocas estão em lua-de-mel com dirigentes

Depois de anos de briga acirrada, os judocas brasileiros estão em lua-de-mel com a Confederação Brasileira de Judô (CBJ). O motivo? As mudanças promovidas pela entidade no tratamento dispensado a seus atletas, que se sentiam explorados durante a gestão da família Mamede. Hoje, com a CBJ sob o comando de Paulo Vanderley, comemoram o apoio que recebem para disputar as principais competições do calendário.Edinanci Silva é a imagem desta nova fase. Antes rebelde, agora elogia. "Antigamente, o atleta não podia expor suas idéias. Hoje, somos ouvidos e a qualidade do treinamento melhorou", relata. Além disso, diz a judoca, há preocupação com o ser humano. "No fim do ano, por exemplo, a CBJ me deu passagem de avião para passar o Natal com meus pais na Paraíba. Fazia dois anos que não os visitava e isso me deu uma motivação enorme."Daniele Zangrando ressaltou o apoio às equipes juniores. "Quando disputei o Mundial Júnior, fui direto para a competição. Só me dei bem porque treinava com os seniores. Quem não tinha essa experiência foi muito mal", lembra a judoca, ressaltando que, na época, eram os atletas que custeavam as viagens. "Hoje, podem se preparar fora, financiados, e espero que aproveitem a oportunidade."O otimismo é grande, a ponto de os atletas considerarem uma zebra se o Brasil não atingir a meta da CBJ nos Jogos de Atenas - voltar com mais do que as duas medalhas de prata obtidas em Sydney/2000. "Hoje, temos as mesmas condições de outras equipes de ponta", afirma Henrique Guimarães. Outros judocas concordam, mas acreditam que ainda há espaço para evolução. "Melhoramos muito, mas podemos ir mais longe. Os técnicos, por exemplo, poderiam ser mais bem remunerados, uma vez que abdicam do trabalho para se dedicarem à seleção", explica Edelmar Zanol, o Branco. "Depois, acho que poderíamos pensar em salário para os atletas."Vânia Ishii também reconhece a boa vontade da nova administração. "No entanto, podemos ser mais claros nos critérios de seleção dos atletas. Mas é como diz o Ney Wilson (coordenador-técnico internacional), nesta fase vamos aprender com os erros."O próprio Ney Wilson sonha com melhorias. "Já conseguimos levar comissão médica para as competições. Quem sabe, no futuro, possamos aumentar o grupo e enviar psicólogos?"Futuro - Na sexta-feira, Paulo Vanderley apresentou um planejamento inédito para o quadriênio 2004/2008. Além de destinar R$ 495 mil da Lei Agnelo-Piva e da Coca-Cola para a preparação dos judocas no Brasil e no exterior antes da Olimpíada de Atenas, ele já pensa no futuro e, por isso, garante que o apoio às categorias de base vai continuar. "Isso acontece porque estamos prevendo a necessidade de uma grande renovação na próxima Olimpíada", justifica o presidente da CBJ.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2004 | 14h49

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