Juiz é a estrela nos cliques de eduardo

Fotógrafo assumiu, há dois anos, uma especialidade inusitada: flagrar os movimentos da arbitragem

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

Em um jogo de futebol, todos os olhares estão voltados para os jogadores. Menos os de Eduardo Migliato, atento a cada passo da arbitragem. Há dois anos, o fotógrafo clica momentos inusitados de juízes e bandeirinhas. "Às vezes, a bola está do outro lado do campo e o árbitro aproveita para arrumar o sapato, o apito que cai da boca..."

Eduardo é o único fotógrafo de árbitros no Estado. A nova profissão surgiu por amor. O primeiro registro de um acervo de 70 mil fotos veio a pedido da namorada - e bandeirinha - Alexandra Rodolpho. "Ela reclamava que não tinha foto trabalhando."

A partir de então, Eduardo acompanha a namorada em todo jogo em que ela é escalada. O vínculo ajuda nas despesas. "Ela recebe verba para estada e eu vou de carona." Sem tal parceria seria difícil continuar. Mesmo com o aval da Federação Paulista, o fotógrafo não recebe nada pelos flagrantes. A dedicação voluntária se assemelha à dos juízes, segundo Eduardo. "Quem é árbitro é porque gosta, é quase um sacerdócio. Eles se preparam muito, mas são mal-remunerados e mal-reconhecidos."

Para não perder nenhum detalhe deste universo quase sempre ignorado, Eduardo chega duas horas antes do jogo e acompanha a rotina da equipe de arbitragem, que inclui verificar o campo, conferir a súmula e fazer o aquecimento.

Mas a profissão não interferiu na visão de jogo do fotógrafo. Quando está de folga, Eduardo fica de olho na bola e nos jogadores. Já a postura com juiz e bandeirinhas mudou - ele não consegue mais xingar o quarteto de arbitragem. "Eu vejo a dificuldade de ser árbitro, principalmente, na hora do impedimento."

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