Justiça adia decisão sobre liberdade provisória a Pistorius

Promotoria diz que atleta andou sete metros e efetuou quatro disparos na porta do banheiro, o que seria premeditação

PRETÓRIA, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h06

O corredor paralímpico Oscar Pistorius colocou suas próteses, caminhou sete metros pelo quarto e disparou quatro tiros mirando a porta trancada do banheiro, matando a sangue-frio sua namorada, atingida por três projéteis. Ao menos é isso o que o promotor Gerrie Nel pretende provar para a Justiça sul-africana. O juiz responsável, Desmond Nair, adiou para hoje a resposta ao pedido formulado pela defesa de Pistorius, que pretende que o acusado responda em liberdade.

O advogado do atleta, Barry Roux, leu uma declaração assinada por Pistorius: "Reeva (Steenkamp) havia telefonado e propôs que jantássemos na véspera do Dia dos Namorados. Às 22 horas estávamos em nosso quarto, ela fazia ioga e eu estava na cama assistindo à TV. Estávamos muito apaixonados e não poderíamos ser mais felizes. Ela havia me dado um presente, mas me disse que eu só poderia abri-lo no dia seguinte". Nesse momento, Pistorius irrompeu numa crise nervosa de choro.

O juiz ordenou que o acusado se acalmasse, e a leitura prosseguiu. "Já fui vítima de violência. Por esse motivo, guardo uma arma de fogo de 9mm debaixo da cama. A noite estava muito escura. Senti medo quando pensei que havia alguém no banheiro. Como não estava com as próteses, me senti muito vulnerável. Disparei contra a porta do banheiro e gritei", acrescentou.

Segundo o relato, Pistorius teria se desesperado ao perceber que Reeva não estava ao seu lado na cama naquele momento. "Se eu pego uma arma, caminho uma certa distância e mato uma pessoa, isso é premeditado", disse Nel. "A porta está fechada. Não há dúvida. Ando sete metros e mato."

Após a audiência, Nel pediu mais tempo para preparar sua resposta à declaração da defesa, e o juiz concordou.

A cerimônia de cremação de Reeva transcorreu ontem, em Port Elizabeth.

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