Justin Gatlin leva ouro nos 100 metros

Na prova nobre da Olimpíada, décimos de segundo separaram os medalhistas. Aqui, a disputa apresentou ao mundo Justin Gatlin, aquele que era considerado o herdeiro dos grandes velocistas norte-americanos e que neste domingo, no Estádio Olímpico de Atenas, firmou-se simplesmente como "o homem mais rápido do mundo" - título tradicionalmente consagrado ao campeão dos 100 m. Gatlin, 22 anos, 1,85 e 83 kg, profissional do atletismo há dois, venceu com 9s85. E, pela primeira vez na história, o português também foi falado no pódio dessa prova: o nigeriano Francis Obikwelu, 26 anos, cidadão português desde 1991, foi o medalha de prata com 9s86. E Maurice Greene, também norte-americano e aos 30 anos um veterano das pistas, ficou com a de bronze, ao estabelecer 9s87."A cada corrida você se põe à prova", disse Gatlin, que tem uma história comum, de menino trabalhado para o atletismo até o profissionalismo, mas já sendo cobrado por uma revolução no atletismo norte-americano, atacado de todos os lados por conta de doping. Shawn Crawford, por exemplo, favorito para o ouro e um verdadeiro "guarda-roupa" de cabeça desproporcional e bigodinho (aquele da corrida na tevê contra uma girafa e depois uma zebra, a quem acusou de queimar a largada...), veias saltando por todos os lados, terminou em quarto lugar, com 9s89, à frente do jamaicano Asafa Powell, com 9s94.Na seqüência chegaram Kim Collins, outro representante dos velocistas do Caribe, das ilhas St. Kitts e Nevis, com 10s00 (melhor marca da temporada), muito simpático com o público, sorrindo e mandando beijos, em contraste com a performance de mau do tatuado e gozador Greene, chamado "O Cheetah" (um dos animais mais rápidos do mundo), e ainda Obadele Thompson, de Barbados, com 10s10. Aziz Zakari, de Gana, não terminou. A melhor história, contada por um dirigente português: Obikwelu, de 26 anos, 1,91 m e 74 kg, viajou a Portugal em 1994 para o Mundial Júnior e decidiu ficar. Trabalhando em obras no Algarve, foi reconhecido por uma senhora inglesa, que o indicou a um técnico em Lisboa. Passou a treinar no Belenenses com Fausto Ribeiro e agora está em Madri, com María Martínez, uma técnica espanhola. As mulheres parecem ter aparecido em momentos decisivos na carreira do nigeriano-português.

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