Leandro Martins/MPIX/CPB
Leandro Martins/MPIX/CPB

Juvenil espera que vaga no Mundial abra portas no atletismo paralímpico

Aos 18 anos, Paulo Henrique é um dos expoentes do salto em altura T13

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2017 | 17h00

Aos 18 anos, Paulo Henrique Andrade dos Reis é um dos caçulas entre os paralímpicos que já se garantiram no Mundial de Atletismo, em julho, em Londres. A vaga veio com 1,81 m - o índice A - no salto em altura T13 (baixa visão), marca que representa também o recorde brasileiro, apenas um mês depois de disputar os Jogos Parapan-Americanos de Jovens. O resultado coloca o atleta entre os expoentes da modalidade.

"Alguns resultados foram além da expectativa, tivemos atleta saindo de competição juvenil e fazendo índice A, que estaria dentro de uma medalha no Mundial. É muito gratificante, sinal de que as competições jovens estão mostrando novos talentos em condições de virem para o adulto", exalta o treinador chefe Amaury Veríssimo.

O garoto de Dourados, no Mato Grosso do Sul, fica na expectativa de que o bom desempenho lhe abra portas no esporte paralímpico. Atualmente, conta com o apoio da Prefeitura no transporte até Campo Grande, e do governo do Estado na compra das passagens aéreas para as competições. O restante fica a cargo de seus próprios esforços e da família.

"Patrocínio particular nunca tive. Mesmo com o apoio da Prefeitura e do governo do Estado, a estrutura não é tão boa assim, penso em buscar outro rumo, ver novos horizontes, é um sonho treinar em um lugar com uma estrutura como essa (do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo)", explica.

Diante das dificuldades, dá crédito ao esforço do técnico Antônio Pietramale, o Toninho, para sua evolução. Foi o treinador que enxergou o talento bruto em Paulo Henrique. "Ele me chamou para treinar. Comecei como fundista e fui campeão brasileiro escolar. Mas fui crescendo e não me acertei mais em corrida longa, ele achou o salto em altura", conta. A rotina é de atleta de alto rendimento, com treinos diários, exceto fins de semana, em dois períodos.

O primeiro passo assim que garantiu o passaporte para o primeiro Mundial da carreira foi ligar para a família. Apesar do suporte incondicional, Paulo Henrique, que tem deficiência visual congênita, diz que os pais não são superprotetores. Empolgado para comemorar com a família, sabe que a festa vai durar pouco. "Tem que segurar um pouco para focar nos treinos, não pode deixar subir à cabeça."

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