Kaká exige mais do que dinheiro para jogar no City

Meia é liberado pelo Milan, mas só aceita ir a Manchester caso a diretoria monte time forte

Eduardo Maluf, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

Kaká recebeu, ontem, o aval de dirigentes do Milan para negociar com o Manchester City. Pela primeira vez os italianos aceitaram uma proposta para liberá-lo, conforme antecipou o Estado. A oferta final dos investidores árabes do City chegou a 100 milhões de libras ou 113, 5 milhões (cerca de R$ 340 milhões) e surpreendeu Silvio Berlusconi, dono do clube de Milão. O meia não descartou a transferência, mas já avisou que vai fazer uma série de exigências para jogar na Inglaterra.Mais do que dinheiro, o craque de 26 anos quer um "projeto sólido", que lhe dê condições de brigar por títulos e permanecer na vitrine. A situação do City o preocupa - a equipe vai muito mal no Campeonato Inglês. "Não adianta, para o Kaká, ganhar mais (dinheiro) agora e depois perder na frente", afirmou seu assessor, Diogo Kotscho. O acerto com o City significaria sair de uma equipe tradicional e com grande exposição na mídia para atuar num time de menos expressão e em transição. Algo que talvez não entusiasme tanto seus patrocinadores e parceiros - Adidas, Gillette, Armani e Gatorade, entre outros. No Milan, com o qual assinou contrato até 2011, tem mais segurança. No City, por exemplo, o que ocorreria se os investidores de Abu Dhabi, que assumiram o controle da agremiação no ano passado, resolverem ir embora, como foi com a MSI no Corinthians? Essa é uma questão levada em conta pelo jogador. "E imagine como seria ruim para o Kaká cair para a 2ª Divisão ou passar duas temporadas sem jogar a Copa dos Campeões", observou Kotscho.O site de Berlusconi na internet publicou, ontem, declarações de Kaká dadas há algum tempo, não tão novas: "Quero envelhecer no Milan, mas, se um dia o clube quiser me vender, é outra história."Para convencê-lo, os árabes teriam de levar junto outros grandes nomes, que transformassem o City num time de ponta. Essa é, realmente, a ideia dos bilionários de Abu Dhabi. O zagueiro Alex, do Chelsea, o volante da Touré, do Barcelona, entre outros, estão na mira. Robinho foi a grande contratação até agora: 40 milhões, no ano passado. Mas, sem outros atletas de peso a seu lado, o ex-santista vem fazendo pouca coisa.Kaká recebe atualmente 9 milhões (cerca de R$ 27 milhões) por ano. Na Inglaterra, ganharia 15 milhões (R$ 45 milhões). Mas seu pai e empresário, Bosco Leite, e o próprio atleta temem que no futuro a transferência não seja tão lucrativa. Mesmo tendo salário bem maior, poderia perder outros contratos - como de patrocínio. E o lado econômico, embora importante, não é tão prioritário mais para um astro que já acumulou recursos para sustentar várias gerações de sua família.Kaká sabe, contudo, que a proposta é interessante para o Milan e pode ser boa para ele também. Mas, no primeiro momento, não ficou tão entusiasmado. Como o Milan disse "sim" ao City, seu staff acredita ser possível que outras agremiações poderosas, como o Chelsea ou o Real Madrid, voltem a tentar sua contratação. Recentemente, o Chelsea ofereceu 100 milhões, mas Berlusconi recusou. Uma mudança para Londres ou para Madri animaria mais o brasileiro.Bosco está no Brasil, em férias, e pode seguir a qualquer momento para a Europa para conversar com o City. Ainda não há, no entanto, uma reunião agendada.

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