Kaká fica fora do primeiro ensaio

Luiz Felipe Scolari deixa o meia do Real Madrid na equipe reserva e elege Oscar, do Chelsea, como armador

ALMIR LEITE , ENVIADO ESPECIAL / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h10

Luiz Felipe Scolari só define hoje a equipe, e o esquema tático, da seleção brasileira que amanhã enfrenta a Itália em amistoso em Genebra. No entanto, ontem, no primeiro treino para a partida, ensaiou algumas surpresas. Uma delas pode ser o não aproveitamento de Kaká desde o início; outra é a possibilidade de jogar com três atacantes. No entanto, também teve confirmações. Felipão escalou dois volantes com características de marcadores e usou boa parte da sessão para experimentar algo que aprecia bastante, a defesa com três zagueiros.

Tudo isso ele fez num treino com pouco mais de uma hora de bola rolando, no Centre Sportif de Coloray, um simpático e bem cuidado estádio para 7.200 pessoas na cidade de Nyon, localizado em frente à sede da Uefa e que além de futebol recebe partidas de rúgbi e provas de atletismo.

É uma mostra de que Felipão não quer perder tempo e vai usar o máximo possível os treinamentos para testar variações e observar o comportamento da equipe. O grupo que participará da Copa das Confederações deverá ser formado por jogadores que tenham, entre outras qualidades, a versatilidade.

O treino tático também mostra que dois jogadores com experiências totalmente antagônicas em termos de seleção vivem situações diferentes. Kaká, experiente, campeão mundial em 2002 e atleta do grupo atual que mais vestiu a camisa da equipe, pode não ser titular contra a Itália, como quase todo mundo apostava - é bem verdade que Felipão jamais disse que o meia do Real Madrid começaria as partidas contra Itália e Rússia, esta na segunda-feira, em Londres.

Já Fernando, apenas em sua segunda convocação, que chegou a ser definido como um volante "perfeito" pelo treinador, está com moral. Em nenhum momento deixou o time titular ontem, apesar de todos os testes feitos durante o treinamento, bom indício de que está ganhando o lugar entre os titulares. E se diz pronto para ser o cão de guarda da equipe.

"Nenhum jogador gosta de ficar marcando, correndo atrás da bola, prefere estar com ela. Mas a minha posição exige isso, é sempre bom desarmar e ajudar a armar o contra-ataque. E o Felipão já me passou como gosta que um jogador da minha posição atue, e tenho tudo para me sair bem."

Três atacantes. Felipão começou o treino com o gremista e Luiz Gustavo como volantes, Oscar encarregado da armação e três homens na frente, Hulk, Fred e Neymar. Os volantes "pegaram" bastante no meio de campo e os atacantes se encarregaram de dificultar a saída de bola da equipe considerada reserva. O treino foi parado algumas vezes, para instruções aos jogadores de todos os setores, principalmente em relação ao posicionamento.

Pela reação do treinador, são boas as chances de esse 4-3-3 ser o esquema inicial na partida contra os italianos.

Num segundo momento, depois de trocar Luiz Gustavo por Hernanes - que se movimentou bastante e deu mais dinâmica ao time que vestiu coletes brancos -, Hulk saiu para a entrada de Diego Costa e a equipe passou a atuar num 4-2-1-3. Isso, porém, em menos de 15 minutos.

Kaká por Oscar. Foi feita então outra experiência que pode vir a ser aproveitada por Felipão amanhã em Genebra. Já com Kaká no lugar de Oscar, a seleção foi posicionada com três zagueiros - David Luiz pelo lado direito, Thiago Silva centralizado e Dante pelo esquerdo. Apesar de David Luiz atuar mais pelo lado esquerdo no Chelsea, ele foi mudado de lado porque Dante também ocupa esse setor no Bayern de Munique. Daniel Alves e Marcelo, que então substituiu Filipe Luís, passaram a se posicionar como alas. O ataque teve Neymar e Diego Costa, pois Fred saiu para a entrada de Dante.

O esquema tático só será esclarecido hoje, quando Felipão deverá divulgar o time para o clássico contra a Itália. A não ser que ele esteja preparando outra surpresa.

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