Kaká fica no Milan. ''Dinheiro não é tudo'', diz Berlusconi

Meia recusa proposta milionária do Manchester City e permanece na equipe italiana, encerrando novela. Dono do clube de Milão afirma que a decisão foi só do jogador

Luís Augusto Monaco, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

O Milan queria vender, mas Kaká não quis saber dos milhões do Manchester City e decidiu ficar no clube italiano. O dono do Milan anunciou pela tevê, às 22h45 (19h45, horário de Brasília) que o craque não iria embora. "Ele fica conosco. Dinheiro não é tudo na vida", disse Silvio Berlusconi em participação por telefone no programa "Il Processo di Biscardi". "A decisão foi dele, mas com certeza o carinho dos torcedores pesou muito. Kaká deu mais valor ao amor à camisa do que ao dinheiro. Nunca mais ouviremos uma oferta por ele. Kaká não tem preço e ficará para sempre no Milan. E agora vamos tratar de ganhar o campeonato", afirmou Berlusconi. Vote: Kaká acertou ao recusar a oferta do Manchester City? Assim que ele deu a notícia na tevê, o craque apareceu na janela de seu apartamento e jogou uma camisa do Milan para os torcedores que estavam em vigília na frente do prédio. Vinte minutos antes do anúncio de que Kaká ficaria, todos os sites italianos davam como certa sua saída. O do grupo Mediaset, que pertence a Berlusconi, informava que Bosco Leite, pai do craque, havia chegado a um acordo com o City e que em poucos minutos a venda seria confirmada. O mesmo dizia o site do jornal La Gazzetta dello Sport. Ambos afirmavam que Kaká receberia 19 milhões (R$ 58,3 milhões) por ano de salário.E o acordo estava mesmo praticamente fechado, depois de mais três horas de reunião entre o pai de Kaká, Bosco Leite, e os representantes do City. Mas aí veio a surpresa: o craque telefonou para o pai e pediu para encerrar a negociação porque havia decidido ficar. O dia do pai de Kaká foi longo. Ele desembarcou em Milão às 11h30 e ficou quase 12 horas tratando do assunto. Falou primeiro com o filho, depois com Adriano Galliani (vice do Milan) e por fim com os representantes do City. Antes de deixar o Brasil ele havia avisado que não queria conversar com intermediários. Por isso, Kia Joorabchian ficou em Londres. Os enviados do clube foram Gary Cook (presidente executivo) e Simon Pearce, inglês que mora em Abu Dhabi e é homem de confiança do xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, o magnata que comprou o City. Tudo parecia caminhar para a confirmação da maior negociação da história, mas Kaká disse não.A decisão de Kaká impediu o Milan de embolsar 110 milhões de libras (R$ 345 milhões). O recorde continua sendo a venda de Zidane, da Juventus para o Real Madrid em 2001, por 65 milhões.O Milan receberia o dinheiro à vista e sem descontos, porque os 5% a que o São Paulo teria direito por ter sido o clube formador de Kaká ( 5,2 milhões, o equivalente a R$ 16 milhões) seriam pagos pelo Manchester City - que também se responsabilizaria pelas comissões dos intermediários. Kaká recebe 9,3 milhões (R$ 28,5 milhões) livres por ano na Itália, mas custa quase 20 milhões (R$ 61 milhões) por ano, incluindo-se os impostos e os encargos trabalhistas. Como seu contrato vai até junho de 2013, se ele saísse o Milan economizaria 90 milhões (R$ 276 milhões).Berlusconi garantiu que Kaká decidiu ficar mesmo sabendo que não terá um aumento de salário como aconteceu quando Real Madrid e Chelsea se interessaram em contratá-lo. "Isso mostra que Kaká é um rapaz de caráter excepcional." Não houve final feliz na negociação com Kaká, mas o Manchester City contratou dois reforços ontem: o volante holandês De Jong (Hamburgo) e o atacante galês Craig Bellamy (West Ham). Além disso, fez uma oferta tentadora ao Newcastle pelo goleiro Shay Given.

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