Kaká ganha chance para recomeçar

Meia do Real Madrid é chamado para os amistosos contra Iraque e Japão, após ciclo interrompido em 2010 na derrota para a Holanda na Copa da África

SÍLVIO BARSETTI, TIAGO ROGERO / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h05

Mais de dois anos depois de seu último jogo defendendo o Brasil - a derrota nas quartas de final da Copa de 2010 para a Holanda, por 2 a 1, que desclassificou a equipe então treinada por Dunga -, Kaká vai voltar a vestir a camisa da seleção. Como antecipou ontem o portal estadão.com.br, o meia do Real Madrid, que ainda não disputou partida oficial na temporada 2012/2013, foi convocado por Mano Meneses para os amistosos contra Iraque, em 11 de outubro, na Suécia, e Japão, dia 16, na Polônia.

Kaká havia sido chamado por Mano no ano passado para os amistosos realizados em novembro contra Gabão e Egito. No entanto, machucou-se e não pôde se apresentar. Ontem, o treinador afirmou que deu a nova chance a Kaká, preterido por José Mourinho no Real, por dois motivos: por sua trajetória na seleção brasileira e pela produção dele nos treinos do clube espanhol.

"Temos acompanhado muito o trabalho que ele vem fazendo em termos de treinamento. A decisão não tem nada a ver com os três gols (marcados sobre o Millonarios, da Colômbia, anteontem, em amistoso)'', disse.

Kaká encarou a convocação como um recomeço na seleção. "É cedo para falar de Copa. Estou voltando após dois anos e ainda preciso reconquistar o meu espaço, entrar em campo, jogar algumas partidas. É um recomeço. Foi o que falei em uma entrevista outro dia. É um recomeço aos 30 anos. Após ter conquistado quase tudo, eu tenho uma nova chance. Quero aproveitar da melhor forma o tempo que eu tiver aqui, os minutos que vou entrar em campo. Tudo para seguir no time até a Copa do Mundo", disse o jogador ao site globoesporte.com.

Para Mano, Kaká e Oscar têm vaga na mesma equipe. "Jogadores como Kaká, que passam o que ele passou, começam a se reinventar. Ele vem trabalhando numa posição um pouco mais avançada no campo, diferentemente do Oscar.'' Mano afirmou que pretende usar os dois juntos em campo pelo menos em um dos dois amistosos.

Kaká diz ainda que no Real não joga tão avançado, contrariando a tese de Mano.

"O Milan e o Real Madrid jogam com esquemas diferentes. Na minha época, o Milan jogava no 4-3-1-2 e eu fazia esse número um. Atuava atrás de dois atacantes. No Real, eu jogo atrás de três. Existe uma obrigação maior na parte defensiva, mas sempre atuo perto da área."

Depois de tanta reclamação de torcida e clubes e para não prejudicar as equipes que disputam o Brasileiro, Mano optou por convocar somente um jogador de cada equipe nacional, com novidades como o retorno de Victor, do Atlético-MG.

Apoio. O técnico mais uma vez minimizou as críticas do deputado federal Romário, que vem contestando seu trabalho de maneira acintosa. Preferiu nominar os que já declararam apoio publicamente à sua permanência na seleção: "Pelé, Ronaldo, Zico, Cafu e Bebeto, jogadores com história e conquistas na seleção, sabem das dificuldades e estão solidários. Isso é o que mais me interessa'', disse Mano Menezes.

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