Kamui Kobayashi melhora a tradição oriental nas pistas

Ao contrário de seus antecessores, piloto de 24 anos impressiona pela ousadia e mostra regularidade e velocidade

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / MÔNACO

Apesar de os samurais não existirem há mais de um século no Japão, a imagem de guerreiros tenazes, corajosos, perseverantes, leais, dentre outras virtudes, ainda está bem viva. E não raro é associada a esportistas que reúnem traços de personalidade semelhante. Não necessariamente japoneses, tal a universalidade da fama. Mas, se o esportista for japonês, melhor ainda. A identificação é completa.

Os predicados que qualificam o piloto Kamui Kobayashi, 24 anos de puro entusiasmo, são os mesmos dos combatentes que defendiam, com a vida, a aristocracia japonesa.

Nesta entrevista exclusiva ao Estado, ontem, em Mônaco, onde hoje começam os treinos livres da sexta etapa, Kamui, como prefere ser chamado, assume trazer no DNA a cultura de seus antecedentes: "É verdade, não desisto nunca".

Desde a estreia na Fórmula 1, no GP do Brasil de 2009, pela Toyota, Kamui deixou sua marca: lutou com todas as forças pelo 6.º lugar com o campeão do mundo naquele ano, Jenson Button, da Brawn GP. Deu até o chamado X (retomar a posição perdida) no inglês no S do Senna. Ficou no ar a gostosa sensação (comprovada depois) de que a Fórmula 1 havia descoberto alguém.

Nesta temporada, na Sauber, Kamui tem se caracterizado por corridas de prender o fôlego do torcedor. Nas últimas três, terminou a primeira volta entre os piores colocados, mas acabou marcando pontos em todas, 10.º colocado. Ofereceu show de arrojo nas ultrapassagens.

Ao contrário dos representantes do Japão que já passaram pela Fórmula 1, Kamui reúne duas características inexistente neles e que, em geral, se contrapõem: velocidade e regularidade.

"Para me manter no programa de formação da Toyota, tinha de obter resultados. Sabia que pagaria alto pelos erros", lembra. "Quando comecei a carreira (risos), eu era rápido, mas errava demais. E a Fórmula 1 não é lugar de aprendizado."

Fiel à Sauber, diz não pensar em se transferir para uma equipe vencedora. "Gostaria de pilotar o carro de Vettel, deve ser divertido, vejo quando estou perto dele na pista, mas minha missão é tornar a Sauber mais competitiva."

O desafio na categoria é enorme, descreve Kamui. "O instante que mais tenho prazer é quando termino uma prova e, na minha visão, realizei um grande trabalho." E as novas regras o estão ajudando. "É possível ultrapassar, dá para se divertir muito."

Recapeamento na pista. A organização do GP de Mônaco teve um problema inesperado a dois dias dos treinos livres: um caminhão pegou fogo na Saint Devote, a última curva do circuito, na entrada da reta dos boxes, e o asfalto precisou ser refeito.

Por causa disso, os pilotos estão preocupados com as condições no local.

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