Charlie Neibergall/AP
Charlie Neibergall/AP

Kansas City Chiefs proíbe no estádio cocares e pinturas faciais que remetam a nativos americanos

Anúncio veio pouco mais de um mês depois que o time de futebol americano de Washington informou que não usaria mais seu logotipo e o nome Redskins

Michael Levenson, The New York Times

21 de agosto de 2020 | 15h00

O time Kansas City Chiefs passará a proibir que os torcedores usem cocares cerimoniais e pinturas faciais em estilo nativo americano no Arrowhead Stadium, tornando-se a última organização a enfrentar símbolos ofensivos em meio a uma discussão nacional sobre imagens racistas e iconografia no futebol americano.

O anúncio veio pouco mais de um mês depois que o time de futebol americano de Washington declarou, sob pressão de patrocinadores, que não usaria mais seu logotipo e o nome Redskins .

O Chiefs disse que, embora o time tenha desencorajado os torcedores a usar cocares por vários anos, a organização decidiu, após discussões com líderes nativos americanos, banir os cocares, com efeito imediato, no Arrowhead Stadium em Kansas City, Missouri.

Os torcedores ainda terão permissão para usar pintura facial, mas qualquer pintura facial “estilizada de uma maneira que faça referência ou se aproprie das culturas e tradições dos índios americanos será proibida”, disse a equipe. Os torcedores serão solicitados a remover a pintura facial antes de passar pela segurança, ainda fora do estádio, disse o time.

A equipe também disse que estava analisando o “Arrowhead Chop” [algo como “o corte da flecha”, em tradução livre], um movimento de braço que imita o golpe de uma machadinha que os torcedores fazem durante os jogos, geralmente acompanhado por um grito de guerra. A equipe disse que também está pensando em mudanças no “deck do tambor”, uma área do Arrowhead Stadium onde os jogadores do Chiefs e outros tocam um grande tambor para iniciar os jogos.

A organização disse que espera encontrar outra maneira de unir jogadores e torcedores e, ao mesmo tempo, representar melhor o significado espiritual do tambor nas culturas indígenas americanas. Uma possibilidade em discussão, disse a equipe, envolveria mudar o foco do tambor “para algo que simbolize o batimento cardíaco do estádio”.

O Chiefs não anunciou nenhuma mudança no nome do time, nem no nome de seu estádio. O anúncio do Chiefs, após a decisão do time de futebol americano de Washington de mudar seu nome, aumentou a pressão sobre os times profissionais que ainda têm mascotes e logotipos que fazem referência a nativos americanos para que estes reavaliem seus nomes e apelidos.

Além do Kansas City Chiefs, o Chicago Blackhawks, da NHL (Liga Nacional de Hóquei), e o Atlanta Braves e o Cleveland Indians, da MLB (principal liga de beisebol dos EUA), há muito resistem a mudar seus nomes e logotipos, embora os Indians tenham abandonado o mascote Chief Wahoo no ano passado e dito que repensariam o nome do time.

O Chiefs disse que as mudanças anunciadas na quinta-feira ocorreram após discussões iniciadas em 2014 com um grupo de líderes locais de diversas origens indígenas americanas, bem como com uma organização nacional que trabalha com questões que afetam os povos e tribos indígenas americanos. A equipe não revelou o nome da organização.

O Chiefs disse que planejam continuar várias tradições que têm o objetivo de homenagear os nativos americanos, incluindo a Bênção das Quatro Direções, a Bênção do Tambor e um convite que a equipe estendeu aos membros da tribo para participar do Jogo do Mês do Patrimônio do Índio Americano.

“Como organização, nosso objetivo era obter uma melhor compreensão dos problemas enfrentados pelas comunidades indígenas americanas em nossa região e explorar oportunidades para aumentar a conscientização sobre as culturas indígenas americanas e celebrar as ricas tradições das tribos que têm uma conexão histórica com a área de Kansas City ”, disse a equipe em comunicado. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Tudo o que sabemos sobre:
Kansas City Chiefsfutebol americano

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.