Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Kelly Slater não pensa em aposentadoria do surfe

Aos 42 anos, norte-americano 11 vezes campeão mundial ainda tem fôlego para seguir entre os jovens surfistas

PAULO FAVERO - ENVIADO ESPECIAL AO HAVAÍ, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2014 | 17h00

Todo final de temporada é a mesma coisa e Kelly Slater já está acostumado com os boatos de que vai parar de disputar o Circuito Mundial de Surfe. Mas aos 42 anos, ele garante que tem fôlego de sobra para ir atrás do 12.º título e confessa que não seguiu as recomendações de Rickson Gracie, que disse para ele parar seis anos atrás.

“Encontrei o Rickson e ele falou: ‘Você deve parar. Já tem oito títulos mundiais, você está apenas se expondo e esses caras podem te vencer. Você já fez tanto...’ Depois, tempos atrás encontrei ele e falei: ‘ei, se eu fosse escutar os seus conselhos não teria outros três títulos’. No esporte, você ganha e perde. Perdi por uma bateria nos dois últimos anos, e ganhei por uma bateria três ou quatro vezes”, conta o astro.

Com 11 títulos mundiais no currículo, Slater é considerado o maior surfista da história. Passou por várias gerações de atletas talentosos e sempre esteve entre os melhores. “Eu não esperava estar há tanto tempo competindo no Circuito. Tenho 42 anos de idade e cheguei à última etapa com chance de conquistar o título mundial”, avalia o surfista.

Slater sonha com mais um troféu em sua galeria de conquistas. “No ano passado, achei uma bola de golfe e botei o numero 12 nela. Até coloquei a foto no meu Instagram. Assim que cheguei aqui no Havaí, pensei sobre isso. Quando você fica tão perto por três anos seguidos, às vezes, você pensa: será que eu devo parar de tentar essa coisa? Mas depois você reflete e percebe que não. Tenho essa oportunidade e vou seguir em frente.”

Ele é um surfista versátil, que consegue acompanhar os mais jovens nos aéreos. Quando estava em Portugal, na etapa anterior do Circuito Mundial, chamou atenção ao fazer um aéreo 540º, mas ele jura que foi um 720º, ou seja, com duas voltas completas no ar. Então divulgou o vídeo e provocou de brincadeira o havaiano John John Florence, garoto da nova geração e muito talentoso.

O norte-americano também é o rei dos tubos e só no Pipe Masters tem sete conquistas. Também é um dos melhores em Fiji e em Teahupoo, no Taiti. Outra característica de Slater é gostar de encarar ondas grandes. Tanto que todos os anos é convidado para o Eddie Aikau, uma competição em Waimea que só ocorre com ondas acima dos 13 metros.

ESTÍMULO

A ascensão de Gabriel Medina e John John Florence ajudam Slater a se manter em alto nível. Os dois jovens surfistas vêm chamando a atenção no Circuito e deve rivalizar com o veterano nas próximas temporadas. O norte-americano sabe disso, quer continuar no limite, e ainda conta com o respeito de todos os adversários.

“O Kelly é o melhor surfista da história. Ele é um excelente surfista aqui no Havaí, e se não for o melhor, é um dos melhores. Se não me engano ele foi o surfista que mais venceu aqui em Pipeline”, diz Medina, sobre as sete vitórias de Slater no Pipe Masters. O brasileiro sabe que a presença do norte-americano torna a disputa ainda mais acirrada e com um gostinho especial em caso de vitória.

Slater, por sua vez, parece gostar do jeito de Medina. Não é tão próximo dele como de John John, mas sempre ressalta sua relação de amor com o Brasil. “Eu sempre tive muito apoio, desde que ganhei lá em Imbituba em 1992. Havia uma multidão na praia para comemorar. Tenho muitos amigos lá. Mas estamos agora em outro nível. Essa é a hora do Gabriel. Ele deve ficar impressionado com tantas pessoas correndo atrás dele, querendo saber mais sobre a vida dele”, conclui.

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