Nilton Fukuda/Estadão - 14/08/2008
Nilton Fukuda/Estadão - 14/08/2008

Ketleyn comemora retorno às grandes competições e os cinco anos da conquista do pódio olímpico

Primeira brasileira a conquistar uma medalha no judô, brasiliense viveu período de relativo ostracismo depois de Pequim

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2013 | 13h51

SÃO PAULO - A judoca Ketleyn Quadros tem amplos motivos para comemorar neste domingo: além de ser o aniversário da mãe dela, faz cinco anos nessa data que a atleta conquistou o grande resultado de sua carreira, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim - trata-se da primeira vez em que o judô feminino brasileiro foi ao pódio. Mas a judoca brasiliense não vive apenas de lembranças: depois de ficar fora dos Jogos Olímpicos de Pequim, por não ter conseguido pontos suficientes para ser a titular da seleção brasileira, comemora seu retorno a uma grande competição: vai participar do Mundial do Rio, a partir do dia 26, no Maracanãzinho.

Cada país tem direito a inscrever duas atletas em duas categorias. Como o nível do Brasil é muito alto entre as leves, esta foi uma das categorias escolhidas. A carioca Rafaela Silva, quarta do ranking da FIJ (Federação Internacional de Judô), permanece como titular, e Ketleyn ocupa a sexta posição na lista.

Ketleyn teve dificuldades para pontuar em 2009 e em 2010, devido a uma lesão no ombro direito e outra no joelho direito. Além disso, a judoca diz que teve dificuldades para lidar com as transformações provocadas em sua vida pela medalha. "Eu me preparei a minha vida inteira para conquistar uma medalha, mas ninguém me ensinou o que fazer com ela depois. Esse apoio eu não tive".

Com apenas 20 anos, Ketleyn subiu ao pódio olímpico, e ela admite que não tinha a menor noção sobre as formas de lidar com a imprensa ou orientação para se tornar um produto atraente para patrocinadores, por exemplo. "Eu não sabia que poderia parar no meio de um treino para atender uma reportagem; quando fazer isso, quando não fazer".

O período de relativo ostracismo contribuiu, na opinião da judoca, para a transformar numa atleta mais completa. "Eu não sabia como lidar com as coisas extra-tatame, como as cobranças, a responsabilidade. Agora sou uma pessoa mais madura. Cresci, aprendi. É chato aprender da forma mais dura, mas é a que mais fortalece".

Mesmo sofrendo por ficar fora dos Jogos Olímpicos de Londres, Kelteyn teve momentos de satisfação com a conquista do ouro por Sarah Menezes e do bronze por Mayra Aguiar. "Treinamos juntas, eu, a Sarinha e a Mayra. Dependemos uma das outras, e fiquei muito feliz com as vitórias delas. E acho que tive participação, porque, se não fosse a minha medalha, talvez não tivesse havido tanto investimento no feminino. Hoje a gente vê o feminino batendo recordes. Enviamos uma equipe completa para Londres, e muitas meninas estão lá em cima no ranking".

Infelizmente, essa profusão de atletas bem colocadas é também um problema para Ketleyn. Uma das melhores judocas do país é justamente uma adversária em sua categoria - Rafaela Silva, prata no Mundial de Paris, em 2011. Assim como Ketleyn, Rafaela se consagrou em tenra idade, aos 19 anos.

"É uma adversária fortíssima, mas já me acostumei com o nível de dificuldade enorme na minha categoria. E isso é bom, porque não deixa ninguém descansar. Nunca foi fácil. Lembro que só me garanti na Olimpíada de Pequim aos 45 do segundo tempo, graças ao resultado do torneio de Paris, em fevereiro. Superei a Danielle Zangrando, que tinha sido campeã pan-americana um ano antes".

Ketleyn garante que o Maracanãzinho vai ver uma judoca ainda melhor do que aquela que se consagrou em Pequim. "Tenho mais visão de judô e maturidade no tatame. Posso utilizar o mesmo golpe em infinitas posições, e isso eu não sabia fazer em Pequim. O que fez a diferença lá foi a vontade. Eu queria muito. Em alguns momentos, quando eu e minha adversária estávamos muito cansadas, eu me superava. Mas eu continuo querendo igualmente".

Ao longo dos últimos cinco anos, Ketleyn teve poucos momentos de brilho: o ouro na Universíade, o Mundial Universitário, em Kazan; a prata na etapa de Miami da Copa do Mundo, em 2010. Numa competição menor, os Jogos Sul-Americanos, a brasiliense também venceu, mas o mais significativo foi a homenagem feita a ela: o COB a escolheu como porta-bandeira da delegação brasileira no desfile de abertura.

 

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