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Kimi, gente do bem

Para provar que a vitória na abertura do campeonato não foi zebra, Kimi Raikkonen vem tirando o sossego do pessoal da Red Bull e Ferrari desde que começaram os treinos na pista da Malásia. O carro equilibrado da Lotus, assim como o talento e o prazer da pilotagem do finlandês parecem estar fazendo a diferença nesse início de campeonato que vem na sequência de um terceiro lugar obtido na classificação final de 2012, o ano em que ele voltou a competir na F-1 sem que ninguém entendesse bem a razão dessa volta.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h10

Kimi é um homem de origem pobre, que ganhou muito dinheiro em uma carreira meteórica e chegou a ser o segundo esportista mais bem pago do mundo, atrás apenas de Tiger Woods em 2009. Nada o faria voltar à F-1 não fosse o puro prazer da competição na principal categoria do esporte a motor. A velocidade é a sua vida desde as brincadeiras de kart quando garoto (seu pai já corria com um kart construído por ele mesmo) até as corridas de Fórmula Super A, F-Ford e a F-Renault que o projetou para a Fórmula 1 aos 20 anos. Um caso inédito de piloto que pulou direto da Renault para a F-1, sem passar, no mínimo, pela Fórmula 3.

Sepang é o palco da primeira vitória de Kimi na F-1 exatamente dez anos atrás, quando ele era um garoto de 23 anos. A chance dada por Peter Sauber, que foi buscá-lo na F-Renault em 2001, foi tão bem aproveitada que no ano seguinte ele já estava na McLaren e em 2003 chegava a esta primeira vitória no GP da Malásia.

Se ele sente emoção em voltar a Sepang 10 anos depois ? A resposta dada aos jornalistas já era esperada: "Sinto calor". O homem de gelo é, de fato, um sujeito frio. Mas também aprendeu a fazer disso o seu marketing pessoal, com atitudes como a do ano passado, respondendo ao seu engenheiro pelo rádio: "Deixe-me sozinho, que eu sei o que tenho de fazer". Até aí os seus comandantes aceitaram bem. Só não deu para engolir o fato de ele se deixar fotografar bebendo cerveja na comemoração da vitória em Abu Dabi. Este é Kimi Raikkonen. A F-1 precisa ter sempre alguém desse tipo.

As circunstâncias encontradas na Malásia são bem diferentes daquelas que surpreenderam a todos na Austrália com temperaturas abaixo dos 20 graus. Em Sepang a temperatura ambiente tem variado entre 32 e 35 graus, e na pista passa de 40. Pelo calor e o asfalto extremamente abrasivo, a Pirelli escolheu seus dois tipos mais duros de pneus. E mesmo o de composto mais duro, agora na cor laranja (era prata), tem proporcionado reações muito diferentes de carro para carro. Em alguns eles têm resistido 15 voltas e em outros, até 21. Daí, a grande dúvida sobre o número de paradas no boxe. A estratégia vencedora do ano passado foi a de três pit stops, mas os pneus deste ano, que reduziram o tempo de volta em um segundo, foram feitos deliberadamente para durar menos.

Numa pista de ultrapassagem muito mais fácil que a da Austrália, a corrida promete uma boa briga entre Lotus, Red Bull e Ferrari (esta, por seu desempenho em condição de corrida). Um pouco abaixo delas, a Mercedes e a promissora Force India, que tem carro bom e um piloto de muito talento chamado Adrian Sutil, aposta certeira de destaque em 2013.

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