Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Kitadai surpreende favoritos e fala em 'sonho realizado'

Medalha de bronze do judoca veio no mesmo dia em que ele completou 23 anos. 'Ela estava predestinada para mim'

Wilson Baldini Jr. - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h06

LONDRES - Ao contrário de Sarah Menezes, que era uma das favoritas à medalha de ouro, Felipe Kitadai não era apontado como um dos possíveis medalhistas em Londres. Era um talento que poderia desabrochar nos Jogos do Rio, em 2016. Mas ele se superou e realizou também um sonho do técnico Luis Shinohara, que foi atleta da categoria ligeiro. "Nem eu acreditava tanto em mim mesmo", brincou ele. "Tive de me esfolar, dar o sangue para conseguir essa medalha que, por ser no dia do meu aniversário, estava predestinada para mim", disse o judoca, de 23 anos, que exibiu com orgulho um dos dentes lascados, por causa do excessivo contato com o tatame.

Mais tranquilo, Kitadai revelou que após o forte treino a que foi submetido, principalmente nos últimos doze meses, ganhou uma confiança muito grande em poder subir no pódio. "Particularmente, eu pensava que se não ganhasse uma medalha ficaria muito decepcionado. É um sonho que realizo na minha vida."

Antes de se dirigir para o exame antidoping, Kitadai revelou que logo ao deixar o tatame recebeu um telefone do Brasil do ex-judoca João Derly, bicampeão mundial. "Ele é como um pai para mim no judô. Me ajudou demais", disse o medalhista de bronze, referindo-se ao fato de Derly tê-lo incentivado a sair de São Paulo e ir treinar no clube Sogipa, em Porto Alegre.

Brincalhão. Sério e concentrado nos combates e tímido nas entrevistas, Kitadai é o mais brincalhão do time de judô brasileiro. "Ele descontrai todo mundo. É muito bom ter pessoas como ele para quebrar um pouco a tensão que toma conta do ambiente da concentração nos dias que antecedem as grandes competições", disse Leandro Guilheiro. Além de brincar com todos, Kitadai faz apresentações de humor estilo stand up, contando casos envolvendo os atletas e a comissão técnica da seleção.

Em seu caminho até o pódio ele teve de enfrentar mongol Tumurkhuleg Davaadorj, o saudita Eisa Majrashi, Rishod Sobirov (que o derrotou, mas ficou sem medalha) e Gwang-Hyeon Choi, na repescagem. Além do italiano Elio Verde na disputa do bronze.

A vitória veio em um golpe que deixou juiz e os dois jurados indecisos. No fim, o golpe foi validado e a medalha garantida. A alegria de Kitadai emocionou o público, que superlotou a Excel Arena no primeiro dia de competições. "Meus pais e minha namorada estavam na arquibancada gritando meu nome. Eu tinha de conquistar essa medalha para eles", justificou.

Japão. No primeiro dia do judô nos Jogos Olímpicos, a decepção ficou por conta da sempre favorita equipe japonesa. No tatame, o time só conquistou uma medalha - a prata de Hiroaki Hiraoka, que foi derrotado por ippon para o russo Arsen Galstyan. No feminino, Tomoko Fukumi foi ainda pior e nem ficou no pódio.

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