Kleber chama vice de medroso e sem caráter

Atacante garante estar lesionado; dirigente criticado minimiza polêmica e diz que jovens são ''impulsivos''

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2011 | 00h00

O Palmeiras segue sem conseguir controlar os seus craques. Ontem, o atacante Kleber soltou a voz e chamou o vice-presidente Roberto Frizzo de medroso e sem caráter. Apesar das fortes críticas, o jogador deve seguir no clube e ainda pode conseguir o tão sonhado aumento salarial.

Kleber resolveu se pronunciar após sua ausência no clássico de domingo. Nem a vitória por 3 a 0 sobre o Santos e a volta ao G-4 do Brasileiro amenizaram os problemas do time.

Após o treino de sábado, o atleta se reuniu com Frizzo e avisou que não iria para o jogo do Pacaembu - alegou dores na coxa esquerda, apesar de estar relacionado para a partida e ter o aval dos médicos do clube.

Descontente por receber menos que Lincoln, por exemplo, ele espera ser valorizado. O Flamengo já o procurou, oferecendo cerca de R$ 500 mil por mês, proposta que o interessou.

Como ainda não realizou a 7.ª partida pelo time no Brasileiro, ele poderia atuar por outra equipe na competição. E, por não ter participado das três últimas rodadas, já tem gente chamando o jogador de "mercenário".

"Não tenho culpa se eu joguei bem e fui valorizado por outro clube, que veio até aqui e fez uma proposta. Eu nunca pedi aumento. O Frizzo me chamou na sala dele e falou que ia resolver a situação, ia procurar o financeiro e ver o que podia fazer", disse à rádio Estadão ESPN.

"Tenho contrato com o clube e jogaria tendo aumento ou não. O cara não pode falar que vai resolver a situação e depois nem atender o telefone. Ele é medroso, não tem caráter", disse.

Kleber poupou o presidente Arnaldo Tirone das críticas, mas não negou que sua relação com os chefes está ruim. "O meu relacionamento com o Felipão é perfeito, com os jogadores é perfeito, mas com a diretoria é péssimo e vai ser cada vez pior se continuar dessa forma. Comuniquei (ao Frizzo) que não jogaria mais com dor. Por que vou jogar no sacrifício se na hora que precisa a diretoria não reconhece o teu esforço?"

O atacante ainda comparou sua situação com a de outro ídolo alviverde. "Eu vejo a diretoria me colocando contra a torcida, fazendo o mesmo que fez com o Valdivia. Hoje, o torcedor coloca em questão a qualidade técnica dele, condição física, caráter, comprometimento com o clube. E eu disse que isso não vai acontecer comigo."

Indignado com as declarações de Kleber, Frizzo afirmou que na reunião de sábado o assunto não foi apenas a lesão do jogador. "Ele se sentou na minha frente e disse "quero sair". Eu disse a ele que não queria que ele saísse, e ele respondeu: "Ah, mas tem fulano que ganha mais". Tentei argumentar, dizendo que não fui eu que criei a situação a que ele se referia, foi a diretoria anterior, mas que o Palmeiras honra seus compromissos."

A diretoria estuda uma punição ao jogador, apesar de Frizzo minimizar as críticas que recebeu. "Todo jovem é impulsivo, não vejo isso como uma quebra de hierarquia", contou. "Ele tem contrato por mais três anos e meio e vai continuar aqui", garantiu o cartola.

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