Koplewski, a família que rema unida

Quatro e dez da manhã, o despertador toca. Sueli Koplewski de Castro levanta, acorda os filhos Bruno e Renan, serve-lhes o café e, meio sonolenta, entra no carro para levá-los ao treino de remo. Volta para casa e, como ainda está de pijama, ?cai? na cama para cochilar mais um pouco, até as 7 horas ? quando tem de ir novamente à USP, para pegar os filhos após o treinamento. Todo dia era assim, de segunda a sexta. Até que um dia a mãe pensou: ?Já que tenho de levá-los para treinar, por que não começo a praticar remo?? E começou. O tempo passou e, hoje, Sueli, Bruno e Renan, atletas do clube Paulistano, formam uma verdadeira família de remadores. Esse é o resumo da história, que começou em 1999, quando Bruno, então com 13 anos, após experimentar alguns esportes, conheceu o remo ? ?nem sabia que existia?. Gostou e levou Renan. Na época, a dona de casa Sueli sentia-se desestimulada. ?Eu não me cuidava, minha auto-estima estava lá embaixo.? Ela precisava reagir, se cuidar. Já os filhos traçaram outro objetivo: o de se tornarem atletas de nível, futuros campeões. Por isso, torceram o nariz quando a mãe anunciou intenção de dividir a raia da USP com eles. Afinal, o que a rapaziada iria dizer? ?Falei para ela, se quiser ir (treinar remo), vai, mas não fala comigo?, revela Renan, que está completando 17 anos neste sábado. ?É que eu não queria misturar família com o esporte?, tenta esconder a vergonha. Sueli apenas sorri. Mesmo porque, lá se vão mais de dois anos e, hoje, ela se tornou um exemplo para todos que freqüentam a raia ? seis clubes paulistas têm suas instalações de remo na USP. ?No início, eu era excluída, pois só tinha molecada. Hoje, o pessoal dos outros clubes, inclusive gente de mais idade, me admira, pela determinação.? Até porque Sueli, de 45 anos, se tornou uma vencedora nas raias. Já disputou três provas de veteranos pelo Paulistano. Ganhou as três. Mas sua maior vitória foi outra. ?Hoje, me sinto bem, feliz, motivada. E mais leve, perdi 18 quilos depois que comecei a praticar remo.? Mas e Bruno e Renan, como estão? Bem. Muito bem. Já contam com várias conquistas no currículo ? Bruno foi campeão paulista júnior no single skiff e no quatro com timoneiro e ganhou o brasileiro e o pan-americano no single skiff, entre outros títulos; Renan tem na estante, entre outros, os troféus de campeão paulista infantil no single e no double skiff ? e têm como objetivo representarem o Brasil no Pan-Americano do Rio, em 2007, e, claro, em uma Olimpíada. ?Vou tentar ir a Pequim em 2008, mas se não der, em 2012 estarei no pico??, diz Bruno, de 18 anos. ?Ainda tenho muito que aprender, mas não vou me desviar de meus objetivos?, garante Renan. Para isso, trabalham duro. Além do treino matinal, diariamente vão à raia à tarde. Chegam às 16 horas e ficam pelo menos duas horas, ora remando, ora fazendo puxados exercícios físicos. E ainda têm de conciliar os estudos ? Bruno faz o 1º ano de Fisioterapia e Renan está concluindo o ensino médio. Com dias tão movimentados, os Koplewski de Castro dormem cedo. Às 8, no máximo 8h30. Nada de assistir a novela. E nem de baladas. ?Cinema na sessão das 10? Não sei o que é isso?, brinca Bruno. ?Mas vale a pena. O remo, inclusive, nos tornou mais felizes, mais unidos. Estamos falando a mesma língua?, constata Sueli.

Agencia Estado,

27 de março de 2004 | 10h26

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