Kubica, a nova estrela das pistas

Polonês de 23 anos é ''feio'''', fala o que pensa, mas pilota como poucos

Livio Oricchio, Barcelona, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

O piloto mais surpreendente depois de três etapas disputadas vem do Leste Europeu, fato inédito na história da Fórmula 1. Robert Kubica, 23 anos, da BMW, já é uma atração do Mundial pelos dois pódios seguidos, segundo na Malásia e terceiro no Bahrein. Hoje, no Circuito da Catalunha, o polonês começa os treinos livres do GP da Espanha com uma determinação: ''Vencer, claro, e assumir a liderança do campeonato''. A primeira sessão de treinos começa às 5 horas, horário de Brasília.Kubica é o protótipo do antipiloto: alto, magrelo e de feições distantes do modelo desejado pelos patrocinadores, com seu jeitão desengonçado, nariz adunco pronunciado e calvície avançada. Feio, em português claro. Mas, quando senta no carro da BMW, veste o capacete e a corrida começa, já é visto como futuro campeão. Soma 14 pontos, como Lewis Hamilton, da McLaren, terceiro colocado - o inglês leva vantagem por já ter uma vitória. Kimi Raikkonen, da Ferrari, é o primeiro, com 19.''Estou aqui para conquistar o título'', afirma Kubica, como sempre, sem medir as palavras. ''Acho que é por isso, por dizer o que penso, que percebo muitas pessoas gostarem de mim.''Hoje, a concorrência será dura no Circuito da Catalunha. Raikkonen e Felipe Massa vêm muito fortes depois do ótimo treino da Ferrari semana passada em Barcelona. ''Verdade, mas nós também evoluímos'', lembra o polonês, que tem no capacete uma imagem de João Paulo II, seu herói, nascido em Cracóvia, com ele. Esse aspecto de sempre colocar-se na condição de também poder vencer, sem ser arrogante, é uma das características da forte personalidade de Kubica.A ''lei'' de que só deve responder o politicamente correto não vale muito para esse talento da F-1. ''Este ano a equipe me ouviu, substituiu meu engenheiro, mudei a maneira de acertar o carro e os resultados estão aí.'' Não fosse a BMW alterar sua estratégia durante a prova na Austrália, Kubica poderia ter sido segundo, o que lhe daria oito pontos e a liderança do Mundial.Um pouco da sua maneira de pensar: ''Não posso ir ao supermercado no meu país porque me tornei popular, recebo muito carinho. Mas não busco a fama, meu objetivo não é ser famoso.'' Ou: ''Fernando Alonso na BMW? Não sei se existe lugar para ele. Se vier, vou melhorar meu espanhol e jogaremos mais cartas.'' Ambos são parceiros de pôquer. Ganhar milhões, comprar jatinho ou iate? ''Não é a minha realidade. Eu me acostumei desde cedo a viver com muito pouco. Meu verdadeiro prazer é acelerar um carro que me permita vencer.'''' Assim é Robert Kubica.

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