Laboratório ainda espera contato da Fifa e do COI

Entidades responsáveis pela Copa de 2014 e pela Olimpíada de 2016 até agora não assinaram contrato com o Ladetec

RIO, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h05

A pouco mais de dois anos para a Copa de 2014, o Ladetec ainda não possui contrato assinado com a Fifa que garanta a realização dos exames de controle de doping do Mundial. Tampouco com o Comitê Olímpico Internacional, em relação aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

"Dizem que vamos fazer os exames. Mas, até agora, não há nada assinado", disse o professor Francisco Radler Neto, coordenador do laboratório. Em 2007, os 1.500 exames do Pan foram feitos - de graça - pelo Ladetec sem que nenhum contrato fosse firmado. "Prometi a mim mesmo que jamais voltaria a fazer algo assim", afirmou. "Não consegui tirar dos organizadores um contrato, mas fizemos porque tínhamos assumido a responsabilidade". O coordenador do laboratório espera ser contatado pelas entidades durante este ano.

Para os Jogos de 2016, vão ser 6,5 mil exames: 5 mil de urina e 1,5 mil de sangue, tecnologia ainda não dominada pelo Ladetec. Ainda este ano, com os R$ 5,34 mi do Ministério do Esporte, vão ser comprados os equipamentos para análises sanguíneas.

O diretor de Alto Rendimento do ministério, Marco Aurélio Klein, deixou claro que "o governo federal não trabalha com nenhuma outra hipótese que não seja o Ladetec como o laboratório dos Jogos de 2016". No Brasil, mesmo que outro se candidatasse, não há tempo hábil. Para fazer os exames na Olimpíada, a Wada exige período mínimo de cinco anos de credenciamento. "O controle de doping brasileiro vai crescer bastante", disse.

Na América do Sul, além do Brasil, só a Colômbia possui laboratório com chancela da Wada. Na América Latina, há outro em Cuba. Somente três países possuem mais de um laboratório, "e cada um por motivos muito específicos", contou Klein.

Os Estados Unidos, que fazem 100 mil exames por ano e por isso têm "dimensão mercadológica" que comporta dois laboratórios; a Espanha, onde os catalães preferiram construir um novo laboratório para os Jogos de Barcelona, em 1992, a usar o que já existia, em Madrid; e Alemanha, por causa da extinta divisão entre ocidental e oriental.

Preços. Mesmo com um laboratório credenciado no Brasil, algumas confederações preferem fazer exames fora do País. Alegam ser mais barato. "Sei os preços dos outros laboratórios e é igual ao nosso", disse Radler. "Os interesses que estão por trás, desconheço. Mas usar o laboratório brasileiro seria uma forma de ajudá-lo a se manter." / T.R.

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