Ladetec é descredenciado pela Wada

Provavelmente, Brasil terá que recomeçar do zero o processo de credenciamento do laboratório, segundo especialistas

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2013 | 19h59

SÃO PAULO - O Comitê Executivo da Agência Mundial Antidoping (Wada) descredenciou o Laboratório de Controle de Doping (Ladetec), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O descredenciamento entra em vigor no dia 25 de setembro, mas o Ladetec já havia sido punido com suspensão, no último dia 8, que continua valendo.

Os exames do Mundial de Judô do Rio estão sendo enviados para análise no Canadá.

O médico Eduardo de Rose, que é membro da Wada, diz que recebeu a informação de que o Ladetec recebeu uma pontuação que implica o descredenciamento. “Cada resultado errado soma dez pontos. Houve dois erros em testes habituais e mais um no chamado ‘teste cego’ (sem identificação). Com 30 pontos, o laboratório é descredenciado pela Wada”.

Para que o Ladetec volte a ser reconhecido pela Wada, terá que pedir uma revisão administrativa pela chamada “fast track”, a via rápida, que é utilizada em circunstâncias excepcionais – o caso seria julgado pelo Tribunal Arbitral do Esporte – há um prazo de 21 dias para apresentação de recurso. A alternativa é recomeçar o processo de credenciamento do zero, seguindo os padrões internacionais de laboratórios (ISL).

Segundo o presidente da Comissão Antidopagem da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Thomaz Mattos de Paiva, o Brasil precisa decidir se prioriza ter um laboratório antidoping ou não.

“Ter o laboratório descredenciado é muito ruim, traz um reflexo muito negativo para o esporte brasileiro. O Comitê Olímpico Internacional pode montar um laboratório para realizar exames durante os Jogos Olímpicos de 2016, mas isso significa um atestado de incompetência muito grande do país. Ter um laboratório credenciado pela Wada seria justamente um dos legados proporcionados pela Olimpíada”.

A demora para a liberação de verbas para compra de reagentes e maquinário seriam as causas da dificuldade do Ladetec para acertar os resultados, segundo especialistas. A burocracia, segundo Paiva, atrasa o desembaraço, junto à alfândega, da liberação das amostras de urina, que são consideradas uma importação. “Sem liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as amostras acabam se degradando, o que prejudica o trabalho do laboratório”.

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