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Lais Souza dá primeira entrevista, e diz que pede para voltar a andar

Ex-ginasta conta como foi o dia do acidente sofrido em 27 de janeiro, quando esquiava nos EUA

O Estado de S. Paulo

23 de março de 2014 | 21h12

SÃO PAULO - A ex-ginasta Lais Souza deu sua primeira entrevista após o grave acidente que sofreu em Salt Lake City, no dia 27 de janeiro, enquanto esquiava. Ao dominical Fantástico, da TV Globo, a atleta de 25 anos descreveu suas lembranças do dia em que se chocou contra uma árvore, na estação de Park City, e comentou sobre o processo de recuperação dos movimentos do corpo.

"Eu me lembro que o nosso técnico (Ryan Snow) marcou treino de esqui naquele dia. Era treino de velocidade e freio", afirmou Lais, ao contrário da informação inicialmente dada pelo Comitê Olímpico Brasileiro e Confederação Brasileira de Desportos na Neve, que consideravam que a atleta estava esquiando livremente. Sobre o choque, Lais tem poucas lembranças. "Eu estava em uma velocidade bem grande, bem grande, e depois dando uma freada brusca. Depois disso, não lembro de mais nada."

A respeito do processo de resgate, Lais disse que não ter sentido dor nem frio. "Tenho cenas, flashes de logo depois que caí. Lembro do meu técnico me chamando, chorando, ofegante. Do helicóptero, eu também lembro do barulho. Mas em flashes. E só até aí."

A reportagem revelou que Lais, além de ter passado por três cirurgias enquanto estava internada no hospital da Universidade de Utah, nos Estados Unidos também precisou vencer uma pneumonia. Ela poderia ter ficado dependente de ventilação mecânica para sempre, mas conseguiu recuperar a capacidade de expansão pulmonar com exercícios, incluindo trabalho de canto. Lais também recuperou a capacidade de deglutir. "Já comi picanha", disse.

Lais tem movimentos de pescoço e ombros, e já começa a sentir sensibilidade em outras partes do corpo. Ela sentiu, por exemplo, o furo de uma agulha em um dos dedos. "Senti vontade de fazer xixi. Isso é surpreendente demais. Porque não era para eu sentir nada."

O corpo médico que cuida da atleta diz que ainda não é possível saber qual a extensão do trauma sofrido por Lais, já que sua medula ainda continua inchada. Lais afirma que já parou para pensar no futuro, caso não consiga recuperar os movimentos, embora peça, todos os dias, para voltar a andar.

"Já parei para pensar (no futuro) e me dá um pouco de medo. Mas penso na solução do problema, o que posso fazer para melhorar, mesmo com um pouquinho de movimento, estou me matando para mexer aquele músculo. Tenho momentos de tristeza. Eu encaro, choro. Em nem todos os momentos sou forte. Eu choro para caramba, mas isso me dá energia. É aquela punhalada que me leva a continuar." Nas próximas semanas, Lais deve começar terapia com células tronco.

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