Laís Souza diz encarar recuperação como 'Olimpíada'

Atleta acredita que será possível encontrar a cura para a paralisia que ela tem desde que se acidentou durante seus treinamentos

GONÇALO JÚNIOR, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 15h04

A ginasta Laís Souza encara o processo de recuperação de uma lesão medular que a deixou tetraplégica como uma nova competição e demonstra que ainda se sente como atleta. "Estou encarando tudo isso como se fosse uma competição. Como se eu estivesse me preparando para uma Olimpíada. Nós vamos encontrar a cura para a paralisia. Vai ser um caminho difícil, mas nós vamos conseguir", disse ela na manhã desta sexta-feira, em Miami, onde mora e realiza tratamento, em entrevista coletiva.

Laís se acidentou durante treino em 27 de janeiro em Salt Lake City, quando se preparava para disputar os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi. Ela competiria no esqui aéreo, mas a grave lesão entre a terceira e a quarta vértebras deixou-a sem movimentos.

Desde o momento da lesão, Laís se recupera nos Estados Unidos. Nesta sexta, o Miami Project, instituto que faz parte da Universidade de Miami e realiza pesquisas da cura da paralisia, apresentou a nova fase de tratamento pelo qual a atleta está passando com a utilização de células-tronco. A ação é pioneira no país e precisou de autorização especial do FDA (Food and Drug Administration) e intervenção dos governos norte-americano e brasileiro.

Antônio Marttos, médico da Universidade de Miami, indicado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para acompanhar o caso, afirma que a expectativa é de que ela consiga recuperar algum tipo de movimento, principalmente nos membros superiores. "Ela usa a mentalidade de atleta em cada momento da recuperação, como conseguir se alimentar pela boca e falar mais alto, por exemplo", diz o médico brasileiro. "Mas não podemos ter ansiedade. Estamos falando de meses e anos", disse o médico.

"Eu estou bem, estou melhorando, graças a Deus. Tem muitas coisas acontecendo comigo. Muitas coisas que precisam ser explicadas, até mesmo para eu conseguir engolir. Eu não conseguiria explicar tudo que eu passei. Estou me sentindo especial agora. Estava na hora errada, no lugar errado. Isso tudo está vindo à tona. Eu não estou confortável com a posição que estou, mas as pessoas que estão ao meu lado estão me ajudando", disse Laís.

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