Lance Armstrong enfrenta novas acusações de doping

Agência Antidoping dos EUA garante ter provas que o heptacampeão da Volta da França usou substâncias proibidas

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h06

Lance Armstrong, de 40 anos e sete vezes campeão da Volta da França, enfrenta novas acusações de uso de substâncias proibidas. Mas, desta vez, a Agência Americana Antidoping (Usada) instaurou um processo formal de investigação sobre o atleta, que anunciou sua aposentadoria do ciclismo em 2011 e passou a se dedicar às provas de triatlo.

Na investigação, revelada por uma reportagem do Washington Post, Armstrong e membros das equipes US Postal, Discovery Channel, Astana e RadioShack estão envolvidos em um esquema de uso e incentivo ao doping entre 1996 e 2010. A Usada afirma que mostras de sangue do ciclista, obtidas em exames de 2009 e 2010 realizados pela União Ciclística Internacional (UCI), possuem provas consistentes de manipulação.

Armstrong é acusado por uso de eritropoietina, transfusões de sangue, hormônio de crescimento, além de infusões de plasma para aumento de desempenho ou para mascarar o uso de substâncias proibidas. Ele também teria incentivado, distribuído e administrado agentes dopantes. Tais violações ao Código Mundial Antidoping podem causar suspensão de quatro anos e até o banimento do esporte. Armstrong também perderia seus títulos.

De acordo com a Usada, vários ciclistas vão testemunhar contra Armstrong. São atletas que teriam usado substâncias dopantes, ou presenciado o americano em tais procedimentos. Outras pessoas acusadas na investigação são Johan Bruyneel, empresário do atleta; os médicos Pedro Celaya e Luis Garcia del Moral; Michele Ferrari, consultor médico; e Pepi Marti, técnico.

Armstrong tem enfrentado acusações de doping por mais de uma década. Em sua defesa, estão os mais de 500 testes com resultados negativos. Nos últimos dois anos, o atleta foi investigado pela Procuradoria de Los Angeles - agentes federais acusaram o ex-ciclista publicamente por uso de doping. Mas, há quatro meses, o processo foi encerrado e Armstrong, inocentado.

Na França. Armstrong recebeu a notícia da investigação em Paris, onde se preparava para disputar o Ironman de Nice, no domingo. Ele foi proibido, entretanto, de competir, justamente por estar sob suspeita.

O numeroso - e poderoso - grupo de advogados de Armstrong já trabalha na defesa do atleta. "A investigação é séria porque eles podem tirar de Lance todos os seus títulos e bani-lo do esporte", disse Robert D.Luskin, um dos defensores. "Mas as acusações são verdadeiras? Nem por um segundo."

Os advogados pediram acesso às evidências compiladas pela Usada, incluindo os nomes das testemunhas e os resultados positivos dos exames. Mas a agência americana já informou que não divulgará a identidade de suas testemunhas, com o objetivo de protegê-las de possíveis tentativas de intimidação.

Armstrong tem até o dia 22 para responder, por escrito, as acusações. "Estou analisando as minhas alternativas", disse o ciclista.

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