Largada elétrica

A largada do novo campeonato de Fórmula E, hoje, em Pequim, é um marco histórico para o automobilismo mundial. E a escolha da capital chinesa como sede da primeira corrida de carros 100% elétricos não é uma coincidência. A China vem sendo o maior mercado automobilístico do mundo nos últimos seis anos, e a produção de quase 22 milhões de automóveis em 2013 deve bater na casa dos 30 milhões até 2020. A Federação Internacional de Automobilismo, que já vinha incentivando o uso de mecanismos híbridos nos carros que disputam o Mundial de Endurance, e em 2014 deu um grande passo neste sentido até na Fórmula 1, finalmente leva para a pista a disputa com a qual Jean Todt sonha desde 2009, quando assumiu a presidência da FIA defendendo uma nova era na indústria automobilística, com o slogan "make cars green".

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2014 | 02h01

Este conceito de carros mais ecológicos a serem produzidos no mundo já era meta da indústria. Mas foi Jean Todt que usou sua experiência de ex-competidor em provas do Mundial de Rali e comandante das mais importantes equipes tanto no rali (Peugeot) como na F-1 (Ferrari, entre 1997 e 2003) para perceber que isso seria mais facilmente atingido através do automobilismo esportivo. Para montar o grid da Fórmula E, ele convidou equipes bem estruturadas que já disputavam importantes categorias de acesso como F-3, World Series e GP2, e atraiu o interesse de pilotos que passaram pela Fórmula 1 como Nick Heidfeld, Sebastian Buemi, Jaime Alguersuari, Jerome D'Ambrosio e Jarno Trulli. Entre eles, três brasileiros: Nelsinho Piquet, Bruno Senna e Lucas di Grassi. A feliz coincidência de ver uma competição entre pilotos com os sobrenomes Piquet, Senna e Prost (Nicholas Prost, filho de Alain Prost), herdeiros diretos de dez títulos mundiais na F-1, é uma atração à parte. Para Lucas di Grassi, que foi piloto oficial de testes do carro elétrico desde a sua criação e esteve envolvido diretamente com o nascimento da nova categoria, a largada de hoje significa um sonho realizado. Para Nelsinho e Bruno Senna, que, após deixarem a F-1 continuaram participando de competições importantes, é uma retomada da carreira em monopostos.

A temporada, que está começando agora, terá dez etapas, todas elas disputadas em circuitos de rua, e passando por cidades importantes como Miami, Long Beach, Berlim, Londres e terá também o segundo Grande Prêmio de Mônaco, além da F-1, com encerramento na capital inglesa em 27 de junho de 2015. A América do Sul, nesta primeira temporada, foi contemplada com uma corrida em Buenos Aires e outra em Punta Del Leste. O Rio de Janeiro esteve nos planos, mas neste primeiro ano não conseguiu viabilizar a realização do GP no Aterro do Flamengo, como se pretendia.

Na Fórmula E os carros são impulsionados por baterias e não por motores a combustão. O modelo é único, construído pela Spark-Renault Racing Technology junto com um consórcio de empresas que inclui a fabricante italiana de chassi Dallara, o motor elétrico é desenvolvido pela McLaren e o sistema de baterias, criado pela Williams. O câmbio é um Hewland de cinco marchas e os pneus são Michelin. As corridas têm duração de uma hora, mas as baterias dos carros têm autonomia de 30 minutos. Portanto, nos pit-stops os pilotos trocam de carro. E como os dois têm potência diferente, a estratégia pode variar entre escolher os carros mais fortes na largada ou na parte final da corrida.

Os carros só atingem a potência máxima, em torno de 270 cavalos, no treino que define a formação do grid de largada, usando motores de 200kw. Na corrida, os motores são limitados a 150 kw. Mas aí é que entra a grande novidade da interatividade com o torcedor. O site oficial da Fórmula E promove uma enquete chamada "fan boost" em que os torcedores são convidados a escolher um piloto para ser premiado com uma carga extra. Os três mais votados recebem um acréscimo de 30 kw em seus carros durante cinco segundos. Os pilotos vencedores da enquete são conhecidos após a formação do grid. A pontuação é idêntica à da Fórmula 1, mas com o acréscimo de três pontos para a pole position e outros dois para o autor da volta mais rápida da corrida.

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