CBV; Divulgação
Dupla acumulou mais de 60 jogos de invencibilidade CBV; Divulgação

LARISSA E TALITA SE CONSOLIDAM COMO FAVORITAS NO RIO 2016

Dupla do vôlei de praia se completa na busca por grandes resultados

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 07h00

Larissa e Talita, dupla brasileira do vôlei de praia que pode ser apontada hoje como forte candidata à medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, no próximo ano, vêm obtendo resultados expressivos deste que se juntaram, em julho de 2014. As duas já disputaram duas edições da Olimpíada, com parceiras diferentes, mas optaram por unir a força de um ótimo bloqueio de Talita com a agilidade defensiva de Larissa.

Só para se ter uma ideia, antes da disputa do Grand Slam de St. Petersburg, nos Estados Unidos, elas tinham 92 vitórias em 100 partidas, com um recorde de 61 vitórias consecutivas. Ganharam os seis últimos torneios do Circuito Mundial e em 18 competições disputadas no total, ficaram em primeiro lugar em 13, e ainda subiram mais duas vezes ao pódio, com uma prata e um bronze.

O momento é tão bom que não dá para negar que elas sejam fortes candidatas a representar o Brasil no Rio, apesar de que a dupla mantém os pés no chão e sabe que só vai garantir presença após a definição da temporada. Na corrida olímpica brasileira, a pontuação obtida nos nove principais eventos do Circuito Mundial (cinco Grand Slams, três Major Series e Open do Rio de Janeiro), com direito a dois descartes, dará vaga a uma dupla.

Para Larissa, a vaga será uma grande vitória, até porque ela parou de jogar em 2012, tentou engravidar por inseminação duas vezes, mas perdeu o bebê e ficou arrasada com isso. Mas mostrou coragem ao assumir um relacionamento com outra jogadora de vôlei de praia, Lili Maestrini, com quem é casada, e agora vive seu grande momento no esporte.

Sem evoluir na gravidez, a atleta decidiu voltar às quadras de areia e então procurou Talita para formar uma dupla que na teoria tinha tudo para dar certo, mas na prática mostrou que tem muita qualidade.

Agora, as duas caminham juntas em busca do sonho olímpico. Larissa conquistou a medalha de bronze nos Jogos de Londres e Talita passou em branco em suas duas tentativas. Juntas, elas querem o ouro olímpico, em casa, para depois disso Larissa poder ir em busca do sonho de ser mãe. “Quero encerrar minha carreira da melhor maneira possível”, avisa.

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Talita: 'Participar dos Jogos Olímpicos no Rio é algo muito especial'

Aos 32 anos, atleta é considerada a melhor bloqueadora do Brasil

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 07h00

Você imaginava o sucesso tão rápido dessa nova dupla?

Eu sabia que jogar ao lado da Larissa era uma oportunidade única. Mas acho que ninguém esperava que os resultados fossem tão rápidos assim. Na verdade a gente acreditava sim que ia conseguir atingir o nosso objetivo que é sempre brigar pelos títulos, e a medida que fomos vendo que nosso entrosamento dentro e fora da quadra estava bom, isso nos deu confiança.

O começo irregular deixou você em dúvida?

A gente sempre acreditou muito no nosso time. Mesmo nos primeiros torneios, quando tivemos resultados ruins, sabíamos que era questão de tempo. Foi bom ganhar já no nosso terceiro torneio, acho que as derrotas serviram pra nos fortalecer mais ainda.

Vocês estão com um aproveitamento de vitórias superior a 90%. Entre as poucas derrotas, duas vezes vocês perderam para Taiana e Fernanda Berti. É mais complicado enfrentar uma ex-parceira?

Jogar contra qualquer dupla brasileira é sempre complicado. Temos ótimos times no Brasil, é o circuito nacional mais forte do mundo. Além disso, nos enfrentamos no circuito brasileiro e mundial diversas vezes. Então nos conhecemos muito bem. Tem ainda o estudo que cada time faz do adversário.

E sobre a Taiana?

Jogar contra uma ex-parceira é tão complicado quanto jogar contra qualquer outra dupla brasileira. São sempre jogos difíceis que exigem atenção máxima. A Taiana e Fernanda Berti não fogem a essa regra.

Os números de vocês são impressionantes até agora. O que fazer para manter o ritmo até os Jogos do Rio?

Primeiro não pensamos nos números. Isso as pessoas ficam contando mais que a gente. Nosso foco é sempre entrar em quadra para fazer o nosso melhor. E se conseguirmos isso estaremos sempre brigando pelos títulos. Não pensamos em números de vitórias ou de ouros, pensamos a cada jogo, a cada torneio e sempre focadas em buscar o título. Acho que é isso que temos de manter até 2016, mas primeiro precisamos buscar o outro objetivo, que é conquistar essa vaga.

Qual é a sensação de saber que existe um grande interesse pelas partidas de vôlei de praia nos Jogos de 2016?

É maravilhoso. Participar de uma Olimpíada é algo especial, ainda mais por ser realizada em seu país. O vôlei de praia sempre é um dos esportes que tem mais procura e isso só estimula a gente. Imagina sabendo que agora a maior parte da torcida estará a nosso favor. Será muito bom jogar com amigos e familiares por perto. Será mais especial ainda jogar com o apoio da torcida brasileira, que sempre lota as arenas dos circuitos e gosta do esporte.

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Larissa: 'Quero a medalha de ouro antes do sonho de ser mãe'

Larissa França também fala sobre parceria de sucesso com Talita

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 07h00

Larissa França aprendeu na dor e cresceu com as derrotas. Especialista em defesa no vôlei de praia, ela forma uma dupla com Talita e aposta que elas podem chegar longe na modalidade. Aos 33 anos, a jogadora participou das duas últimas Olimpíadas e conquistou o bronze em Londres, em 2012. No final daquele ano, se aposentou para tentar realizar o sonho de ser mãe. Não conseguiu, mas assumiu publicamente seu relacionamento com a também jogadora de vôlei de praia Lili Maestrini. Em julho do ano passado, voltou às quadras ao lado de Talita.

Você imaginava o sucesso tão rápido dessa nova dupla?

Quando convidei a Talita para jogar sabia que faríamos um time competitivo. Eu queria voltar a jogar no alto nível, conseguindo manter os bons resultados que alcancei ao longo da minha carreira. Sabia que era a junção de duas ótimas jogadoras, mas também sabemos que não é só isso que garante o sucesso da dupla.

Qual o segredo?

Acho que conseguimos os resultados de forma rápida assim porque estamos com o mesmo objetivo, focadas. Quando sentamos para conversar sobre jogar juntas foi importante perceber que a Talita estava com a mesma ideia que eu, com os mesmos objetivos e também acreditando que ia dar certo. Estamos muito felizes com os resultados e como dupla, dentro e fora da quadra. Isso faz toda a diferença. Por isso os resultados acabam aparecendo.

A que você credita a hegemonia tão grande de sua dupla?

Acreditar no mesmo objetivo e buscá-lo. Já admirava a Talita como atleta quando éramos adversárias, mas jogar ao lado dela me mostrou uma Talita ainda melhor. Uma atleta bastante focada, dedicada. Esse é o segredo. Acho que o fato de estarmos jogando felizes também ajuda. Era isso que queria para minha volta, estar feliz em jogar. Ter prazer em voltar a rodar o Brasil e o mundo, e me sinto assim.

Você parou de jogar, casou, tentou engravidar, depois retornou às quadras de areia. O que aprendeu nesse período longe do esporte?

Aprendi muita coisa, principalmente a ser mais paciente. Precisava desse tempo para me dedicar à minha família, ao meu casamento. A nossa vida é muito corrida, abrimos mão de muitas coisas. Depois de um tempo você sente falta de estar mais próxima das pessoas que ama. Esse período afastada das quadras foi fundamental para eu voltar agora com força total, com alegria e tendo certeza que queria voltar mesmo.

Ficou alguma frustração por não realizar o sonho de ser mãe?

Isso me ensinou muita coisa, inclusive algumas que carrego hoje para dentro de quadra. Acredito que tudo acontece na hora certa, e se não foi antes é porque não era pra ser. Agora estou conseguindo me dedicar 100% novamente ao esporte, buscar o meu objetivo que é uma medalha de ouro em 2016 pra encerrar a minha carreira da melhor maneira possível. Depois disso vou voltar a buscar esse meu outro sonho que é ser mãe. 

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