Marwan Naamani/ AFP
Marwan Naamani/ AFP

Le Clos apoia 'rebelião' de nadadores contra Fina por evento independente

Sul-africano defende a Liga Internacional de Natação, que visa "favorecer o esporte com um enfoque mais dinâmico", como diz o nadador

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 16h01

O sul-africano Chad Le Clos, dono de quatro medalhas olímpicas, manifestou, nesta segunda-feira, seu apoio à ideia de uma nova competição que levou nadadores da elite a se rebelar contra a Federação Internacional de Natação (Fina), responsável pela gestão do esporte. A Liga Internacional de Natação (ISL, na sigla em inglês), que promete iniciar no próximo ano, "favorecerá à natação com um novo enfoque dinâmico", disse Le Clos.

A ISL é uma liga privada e estaria fora do controle da Fina. O novo circuito também promete distribuir prêmios mais vantajosos financeiramente e envolver os atletas nas tomadas de decisões. "Por que os atletas não deveriam desenhar suas próprias competições como ocorre em tantos outros esportes olímpicos?", questionou, em publicação no seu perfil no Twitter, o sul-africano, campeão olímpico em 2012 nos 200 metros borboleta.

Em uma disputa que se intensificou, os organizadores da ISL cancelaram um evento neste mês em Turim, Itália, após a Fina ameaçar suspender os atletas que participassem. Em resposta, três nadadores - a estrela húngara Katinka Hosszu e os norte-americanos Tom Shields e Michael Andrew - apresentaram, na sexta-feira, uma ação antitruste contra a Fina em um tribunal na Califórnia.

A Fina supostamente exigiu o pagamento de US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 196 milhões) por dez anos para permitir que a ISL operasse, antes de seus organizadores suspenderem as negociações.

Le Clos salientou que é "muito decepcionante que nosso esporte não esteja aberto a mudar". "Precisamos criar diferentes meios e oportunidades comerciais", acrescentou, apontando a necessidade de ações inovadoras no esporte. "Todos na natação devem considerar o futuro".

Através de um comunicado, a Fina indicou no domingo que estava focada na organização do Mundial de Natação em Piscina Curta (25 metros), em Hangzhou, na China, que se inicia na madrugada desta segunda para terça-feira (no horário de Brasília), e não em ações na Justiça. "Como sempre, a Fina continua aberta a propostas que realmente melhorem, em vez de criar conflitos com, os calendários de eventos atuais e futuros", afirmou a federação.

Uma decisão judicial na Europa no ano passado mostra que os nadadores podem ter sucesso se eles apresentarem uma ação questionado possíveis condutas anticompetitivas. Patinadores holandeses tiveram uma decisão favorável na Comissão Europeia contra a União Internacional de Patinação. O grupo havia sido ameaçado de suspensões por querer competir em um evento organizado pela Coreia do Sul em Dubai.

 

 

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