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Leão bate de frente e vence Andrés

Treinador do São Paulo compra briga com ex-presidente do Corinthians, atual diretor de seleções da CBF, e consegue a liberação de Lucas para o clássico

BRUNO DEIRO, WAGNER VILARON, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h04

SÃO PAULO - Em mais um capítulo de rusgas entre São Paulo e Andrés Sanches, o ex-presidente corintiano e atual diretor de seleções da CBF aproveitou críticas contundentes de Emerson Leão à entidade para se impor no novo cargo. Primeiro, Andrés disse que entraria com representação contra o técnico no STJD e reafirmou que Lucas não jogaria o clássico de amanhã, contra o Palmeiras. Pouco depois, porém, a CBF anunciou a liberação do meia.

O imbróglio teve início na manhã de ontem, quando Leão não poupou a CBF, em entrevista no CT da Barra Funda. Indignado com o fato de perder Lucas por conta do amistoso contra a Bósnia, na terça-feira, Leão disparou: "O Brasil nos tirou o Lucas, porque foi o único jogador que não foi liberado. Não devemos nada à CBF. Ela é que deve milhões ao nosso clube e a outros", disse o técnico, que alfinetou o presidente da entidade, Ricardo Teixeira. "Uns dizem que vai sair, outros dizem que vai ficar. Torço para que saia."

Em seguida, Leão afirmou que pessoas ligadas à CBF sugeriram ao garoto que forçasse o terceiro cartão amarelo para não haver reclamação sobre sua ausência no clássico. "Disseram: 'Por que o Lucas não toma cartão amarelo para evitar barulho?'. Sei que isso foi falado em uma reunião. Se toda entidade pune jogador que força cartão amarelo, por que depois ela aconselha a tomar cartão?", disparou o técnico.

No início da tarde, Andrés Sanches retrucou as alegações de Leão e exigiu nomes. "Não houve reunião alguma. E, se houve, não foi com meu conhecimento e o Leão deve indicar quem participou", disse o diretor de seleções da CBF. "O Leão foi irresponsável no que falou e vai responder judicialmente por isso."

Versões. Andrés chegou a descartar que a entidade cedesse na questão sobre a liberação de Lucas. "Não chegou pedido nenhum do São Paulo para liberar o Lucas. E não adianta mandar nada agora. Esquece, ele não vai ser liberado."

No fim da tarde, porém, a CBF emitiu um comunicado afirmando que o meia seria liberado. A explicação que corria ontem no Parque São Jorge era que a mudança foi uma manobra de Andrés para causar constrangimento. Chegando bem depois dos companheiros, Lucas ficaria em situação embaraçosa na seleção, num momento delicado. Andrés Sanches, no entanto, havia sido bastante enfático ao vetar Lucas no clássico, em entrevista ao canal SporTV.

Pelos lados do Morumbi, a CBF teria voltado atrás por conta da ação direta do presidente são-paulino Juvenal Juvêncio. O dirigente teria entrado em ação e usado sua força política para fazer Ricardo Teixeira ordenar a liberação do garoto. Com a péssima relação entre os dois, porém, o contato não teria sido direto.

Lucas foi liberado com o compromisso de se juntar à seleção em St. Gallen, na Suíça, para o treino de segunda-feira, às 20 horas (16 horas de Brasília).

A decisão de levar adiante a representação contra o técnico do São Paulo, porém, virou questão de honra para Andrés. "Essa história de insinuar que alguém sugeriu que o jogador recebesse o cartão amarelo de propósito é leviana. Acho que o Leão não imaginava a repercussão e gravidade do que estava falando", criticou o dirigente. O diretor de seleções da CBF lembrou ainda que o São Paulo não formalizou pedido para a liberação de Lucas.

O Tricolor, por seu lado, admitiu que fez apenas uma solicitação verbal. "O São Paulo tentou apelar ao bom senso, mas não desestimula a convocação de seus atletas. Tentamos a antecipação do jogo na Federação Paulista (de Futebol) e não formalizamos na CBF o pedido de liberação do atleta para o clássico, mas manifestamos o interesse de forma verbal", disse o vice de futebol do clube, João Paulo de Jesus Lopes. O dirigente criticou, no entanto, a decisão da CBF de entrar com a representação contra Leão no STJD. "O Leão não disse que foi a CBF quem sugeriu, disse que foram pessoas ligadas à entidade", disse João Paulo.

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