Leão sai e torcida organizada festeja

Técnico acertou saída do Santos após cinco meses de trabalho e teve sua Mercedes apedrejada por torcedores

Sanches Filho, SANTOS, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 00h00

Leão não é mais o técnico do Santos. Ele não resistiu a pressões e aos recentes resultados decepcionantes e deixou a Vila Belmiro. O treinador disse que ontem chegou a acordo com o presidente Marcelo Teixeira, durante um almoço no Hotel Recanto dos Alvinegros, anexo ao Centro de Treinamento Rei Pelé, e que não houve pagamento de multa rescisória.Leão assumiu em 15 de dezembro, em substituição a Vanderlei Luxemburgo. Em cinco meses e 12 dias, comandou o time em 32 jogos. Foram 16 vitórias, cinco empates e 11 derrotas; 51 gols marcados e 38 sofridos, aproveitamento de 52,2%.''Quando se chega a um acordo, não tem lado que tomou a iniciativa. Ninguém me tirou e nem me segurou'', disse Leão, que saiu sem se despedir dos jogadores. ''Não houve tempo'', justificou. Durante a entrevista coletiva, ouviu a algazarra promovida do outro lado do muro pela Torcida Jovem, com grande queima de fogos. Ao cruzar pela última vez o portão do CT Rei Pelé, teve uma surpresa desagradável: duas pedras acertaram a porta esquerda de sua Mercedes Benz preta.''O que a inveja faz'', lamentou o técnico, antes de chegar ao carro. Ao ver o estrago (afundamento da lataria), demonstrou irritação. ''Vou voltar para o estacionamento (do CT Rei Pelé) e o Santos terá de pagar isso aí.'' O almoço de ontem com o presidente Teixeira pôs ponto final na difícil relação que teve com a torcida em sua terceira passagem pelo clube.Por ter disparado contra o antecessor Luxemburgo, logo que assumiu, dando a idéia de que estava recebendo uma terra arrasada, comprou briga com a principal organizada do clube. No dia seguinte à derrota por 2 a 0 diante da Portuguesa, na estréia do time no Campeonato Paulista, os muros do Centro de Treinamento amanheceram pichados: pediam que o zagueiro Betão fosse mandado embora e Leão, demitido.A derrota para o Rio Preto, no dia 17 de fevereiro, por pouco não custou o emprego ao treinador. O diretor de futebol Luiz Antônio Ruas Capella tentou contratar um técnico de ponta. Ouviu o não de Abel Braga e de Cuca, entre outros, e acabou acertando com Vágner Mancini, que só não assumiu porque o time ganhou o jogo seguinte, contra o Guarani.''Deixo a torcida do carnaval satisfeita'', foi uma das frases ditas por Leão na despedida, referindo-se à ajuda que a organizada recebe de Luxemburgo para realizar seu desfile de carnaval. Mas sua saída mudou também o ambiente entre os jogadores. Muitos nem se preocupavam em esconder o contentamento. ''Essa foi, sem dúvida, a minha passagem mais difícil pelo Santos'', contou Leão. Como pretende encerrar a carreira de técnico aos 60 anos de idade, em 2010, não acredita que haverá tempo para uma quarta vez.A torcida voltou a xingar Leão depois do jogo contra o América, do México, na semana passada, e contra o Cruzeiro, no domingo.''Não vou tolerar mais provocações'', avisou. ''Ouvi de um dirigente importante que, devido à situação financeira muito difícil, o Santos não vai contratar ninguém. Saio no momento certo. Meu sucessor pega o time no começo do Campeonato Brasileiro.''OS NÚMEROS DE LEÃO16 vitóriasforam conquistadas por Leão no comando do Santos5 empatesforam registrados desde 15 de dezembro11 derrotasaconteceram na 3.ª passagem do treinador pela Vila Belmiro52,2% de aproveitamentofoi o desempenho de Leão à frente do time santista

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