Legado dos Jogos Pan-Americanos do Rio ainda é dúvida

Apesar do custo de R$ 5 bilhões dos Jogos Pan-Americanos de 2007, não há nenhuma estratégia definida de uso das instalações e equipamentos do evento para projetos de inclusão social após as competições. Existem idéias, vagas, que ainda serão discutidas por representantes do poder público. A prefeitura do Rio e o governo federal detêm mais de 70% das áreas destinadas às disputas. Desses locais, o Estádio João Havelange, no bairro do Engenho de Dentro, é o primeiro que deve dar acesso a comunidades carentes para a prática do esporte.O Engenhão, como é conhecida a obra de grande vulto no coração da zona norte da cidade, vai abrigar um campo de futebol e uma pista de atletismo numa região de casas simples, pequenos prédios e favelas. O estádio pertence à prefeitura e deve ser aberto em janeiro de 2008 a grupos de estudantes do município para aulas complementares de educação física.O Comitê Organizador dos Jogos (Co-Rio) deve divulgar até o início de abril levantamento sobre os legados do Pan-Americano. O trabalho é em conjunto com as três esferas de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou recentemente que 3.800 dos 5 mil computadores do Centro Tecnológico Operacional do Pan serão doados para escolas públicas das redes estadual e municipal. E os outros 1.200 ao Sistema Único de Segurança Pública. Ainda em âmbito federal, o Complexo de Deodoro, que inclui instalações de nível olímpico, como o Centro Nacional de Tiro Esportivo e o Centro Nacional de Hipismo, vai receber no futuro crianças e adolescentes para a iniciação em diversas modalidades. Também em Deodoro, cujos investimentos chegaram a R$ 87,7 milhões, pretende-se atrair a comunidade vizinha para cursos eqüestres na Escola de Equitação do Exército.O único empreendimento dos Jogos com destino realmente certo é a Vila Pan-Americana. Com capacidade de alojamento de 7.776 pessoas, seus 17 prédios serão entregues aos proprietários até o início de 2008. As outras instalações, entre as quais o Complexo do Autódromo, também dispõem de projetos tímidos de inclusão social. No local, o velódromo será utilizado por ciclistas, e o conjunto de piscinas será empregado na busca de talentos, em parceria da prefeitura com a Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos. A arena multiuso depende de processo de licitação para que se conheça quem poderá explorá-la após o ParaPan, em agosto. A quatro meses do início do evento, o legado dos Jogos ainda é incógnita.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.