Lenda das artes marciais, Hélio Gracie completaria 100 anos nesta terça-feira

Patriarca da famosa família de lutadores, ele é o idealizador do Brazilian Jiu-Jitsu

Guilherme Dorini, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2013 | 08h22

SÃO PAULO - Nascido em 1.° de outubro de 1913, Hélio Gracie completaria 100 anos nesta terça-feira. Patriarca da famosa familia Gracie, ele foi responsável pela difusão do jiu-jítsu no Brasil e idealizador do estilo de arte marcial brasileira conhecida mundialmente como Brazilian Jiu-Jitsu. Ao longo de mais de 80 anos de prática esportiva, enfrentou diversos oponentes de renome, e invariavelmente maiores que ele, para provar que sua técnica estaria acima da força bruta.

Hélio, filho mais novo dos oito de Gastão e Cesalina Gracie, era uma criança fisicamente muito delicada. Devido sua frágil saúde, ele tinha dificuldades para treinar com seus irmãos. Muito observador, Hélio foi aprendendo todas as técnicas e ensinamentos para, então, desenvolver um novo estilo de luta, que agora pode ser aprendido no Brasil, com o primeiro centro de treinamento certificado do País.

MÉTODO GRACIE JIU-JITSU

O Gracie Jiu-Jitsu começou a ser desenvolvido por Hélio no fim da década de 1920. A história começa com a vinda do japonês Esai Maeda, que praticava jiu-jítsu, ao Brasil em 1914. No Estado do Pará, tornou-se amigo de Gastão Gracie, que ajudou Maeda a se estabelecer no País. Por gratidão, Maeda passou a ensinar o jiu-jítsu japonês a Carlos Gracie, filho mais velho de Gastão.

O conhecimento foi, então, passado por Carlos aos irmãos. Hélio era uma criança franzina e não treinava, porém assistia às aulas ministradas pelos irmãos e as memorizava. Ele logo percebeu que, por seu porte físico mais frágil, não tinha facilidade para executar os movimentos ensinados pelos irmãos. Passou, então, a modificá-los para que se adaptassem à sua condição. Com base nos movimentos de alavancas do corpo humano e de escolha do momento certo, Hélio criou o Gracie Jiu-Jitsu. Usando as técnicas tradicionais do jiu-jítsu japonês, o método provou ser o sistema mais confiável de autodefesa.

Para provar a eficácia de seu novo sistema, Helio desafiou publicamente todos os praticantes de artes marciais mais respeitáveis do Brasil. Participou de 18 lutas, incluindo desafios contra o antigo campeão mundial peso pesado de luta-livre, Wladek Zbyszko, e o segundo maior judoca do mundo na época, Kato, a quem Hélio estrangulou e deixou desacordado após seis minutos de combate.

ENTROU PARA HISTÓRIA

Um de seus combates mais famosos ocorreu em 1955, no Maracanãzinho, contra Masahiko Kimura, um dos maiores nomes das artes marciais do Japão de todos os tempos. A luta durou três horas e quarenta e cinco minutos, se tornando o duelo mais longo já registrado em vídeo. Gracie, que pesava apenas 63kg, contra os 100kg do japonês, acabou perdendo por uma chave de braço, após Kimura quebrar seu braço e ver seu córner jogar a toalha, encerrando assim o combate.

CENTENÁRIO

Hélio morreu em 2009, aos 95 anos, em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro. O ex-lutador havia apresentado um quadro de pneumonia, e, após os exames, foi descoberta uma leucemia. Nesta terça-feira, às 19h30, no salão nobre do colégio Padre Antônio Vieira, onde fica a Gracie Humaitá, será celebrado o centenário de Hélio Gracie. O evento contará com a presença de amigos e familiares e está sendo organizado por Rolker Gracie, filho de Hélio.

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