Adam Fenster/Reuters
Adam Fenster/Reuters

Lenda do beisebol americano vira técnico do Brasil ‘pelo coração’

Membro do Hall da Fama da Major League Baseball, Barry Larkin levou seleção ao World Baseball Classic

Alessandro Lucchetti , O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2013 | 12h45

SÃO PAULO - Barry Larkin, membro do Hall da Fama da Major League Baseball, é uma lenda do Cincinatti Reds, time pelo qual jogou 19 temporadas e foi campeão em 1990. Seria chamado de lunático quem dissesse que esse craque seria o técnico da seleção de um país sem tradição na modalidade.  

 

Ademais, no vazio caixa da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol não há vestígio algum da verba necessária para pagar o salário de um profissional desse quilate. Contudo, foi Larkin o técnico que comandou o Brasil à classificação para o World Baseball Classic, e é ele que tentará conduzir a seleção a uma campanha digna na competição, no Japão, em março.

 

 Larkin visitou o Brasil pela primeira vez com a missão de participar do Elite Camp, um programa de clínicas mantido pela MLB voltado à formação de técnicos e jogadores no Brasil, considerado um celeiro em potencial de atletas.  

 

Ele gostou do país e dos jogadores. E então fez a pergunta que deixou de olhos arregalados os dirigentes nipo-brasileiros da CBBS. Eles ficaram se perguntando se haviam de fato entendido a questão, formulada em inglês. “O que acham de eu ser técnico da seleção brasileira?” Os dirigentes aceitaram de pronto, antes que Larkin mudasse de ideia.  

 

O treinador enxerga grande potencial em vários brasileiros. “Jogadores como André Rienzo e Paulo Orlando poderiam jogar na Major League Baseball amanhã. O Brasil tem jogadores bons, disciplinados e muito motivados. A experiência de treiná-los significa um dos pontos altos da minha carreira.”  

 

Larkin trabalha em programas de intercâmbio cultural mantidos pelo Departamento de Estado dos EUA. Depois do World Classic, ministrará clínicas na Índia. “Não sou o tipo de aposentado que vai ficar em casa.”  

 

A causa do beisebol brasileiro não é a única pela qual Larkin se empenha. Pai da cantora Cymcolé, cuja música “Bring on the Nite” foi incluída na trilha da novela Avenida Brasil, ele fez contatos com empresários que tornaram possível uma turnê da filha pelo país, em abril.  

 

Neto de uma mexicana e fluente em espanhol por ter jogado com muitos latino-americanos, ele explica nesse idioma o que o levou a ser técnico do Brasil, mesmo sem receber um único tostão pelo trabalho. “Corazón”, responde, batendo no peito.

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