H. Neto / Fractal Fotografia Esportiva
H. Neto / Fractal Fotografia Esportiva

Lenda do triatlo vem ao Brasil e aponta os caminhos para a modalidade crescer

Mark Allen, que já venceu seis vezes o Mundial de Iron Man, conta os segredos para ter um ótimo treinamento

Entrevista com

Mark Allen

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2019 | 15h01

Mark Allen é considerado o maior triatleta da história. Ele ganhou seis vezes o Mundial de Iron Man, uma prova que consiste em 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida. O norte-americano chegou a ganhar 21 provas seguidas, entre 1988 e 1990, e foi ao pódio em 90% das disputas que fez.

Aos 61 anos, ele está na Hall da Fama da modalidade e deixou um grande legado para o triatlo. Nesta entrevista ao Estado, ele falou sobre como lidar com um esporte tão difícil e sobre os Jogos Olímpicos - a inclusão do triatlo no programa ocorreu apenas nos Jogos de Sydney, em 2000, quando ele tinha 42 anos.

O que torna uma pessoa boa no triatlo?

Para se tornar bom no triatlo, você precisa ter paciência. As pessoas querem entrar em forma muito rapidamente, mas seu corpo não muda tão rápido assim. Você treina dia após dia e no começo parece que não está dando resultado. Por isso precisa de paciência e continuar insistindo. Aí sua evolução começa a dar saltos, vai se sentido mais em forma, e melhorando de forma natural. Então você se sente mais forte, mais rápido, isso é o mais legal. E aí que se dá conta de que está dando certo. O maior erro das pessoas que entram nesse esporte é ultrapassar os limites, e com isso aparecem as lesões. A consistência é a chave para se dar bem no triatlo. Se treinar desta forma, vai melhorar e vai curtir ao mesmo tempo.

Existe um segredo para ir bem? Qual das 3 modalidades o atleta precisa ser melhor?

Na elite do triatlo, cada atleta veio de uma das três disciplinas, ou até de outra como o futebol, mas isso não faz diferença. Corrida, ciclismo e natação são modalidades naturais, quando você é criança brinca fazendo essas atividades e elas são naturais para o seu corpo, então não importa de qual delas você é originário. Pessoalmente, eu sempre trabalhei bastante a corrida, pois é o último evento do triatlo. Numa prova de Iron Man, o tempo do melhor da natação e do pior não é tão diferente. No ciclismo, o tempo de diferença é um pouco maior. E na corrida, o tempo pode ser de uma hora entre um bom corredor e um mau corredor. Porque a prova se dá no momento de maior cansaço, então nessas condições as diferenças serão maiores.

Como você vê a presença do triatlo no programa olímpico? Sente falta de ter disputado?

Seria bacana ter disputado uma Olimpíada, mas não lamento. Eu estava em 1989 em Avignon, na França, na primeira competição de triatlo na distância olímpica. Lá foi dado o primeiro passo para que a modalidade entrasse no programa olímpico. Eu ganhei aquela prova e 11 anos depois a modalidade estava em Sydney. Eu estava na Austrália, mas do outro lado da câmera, trabalhando para a NBC. Eu ganhei o Iron Man seis vezes, corri em vários lugares do mundo, incluindo aqui no Brasil, e tenho lindas memórias. Não dá para querer tudo.

O que poderia ser feito para que mais pessoas praticassem o triatlo?

É preciso ter mais clubes e técnicos de triatlo, pessoas que possam ajudar na entrada na modalidade e educá-las. Não é mistério, é bem básico. Obviamente que se tiver provas mais curtas, isso torna mais fácil as pessoas entrarem. Tem de começar pequeno, um passo de cada vez. E também é bom poder contar com uma comunidade de atletas para treinar. Resumindo, precisa de técnicos, provas curtas e apoio. É um estilo de vida.

Você costuma dar palestras e treinamento sobre a modalidade. Que dicas daria para os brasileiros irem bem nesse esporte?

Existem pequenas diferenças, mas acho que o principal é gostar do esporte e do treinamento. Isso ajuda a ser mais saudável, mais feliz e reduzir o estresse. Quando usa o esporte para isso, se torna uma parte central da sua vida.

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